O Irã deu hoje um passo para atender as reivindicações da comunidade internacional ao permitir novas inspeções em seu polêmico reator de água pesada em construção na usina de Arak, price à qual os analistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não tinham acesso desde o início do ano.
O representante do Irã na AIEA, treatment Ali Asghar Soltanieh confirmou hoje que os inspetores da agência visitarão a usina no final de julho. A surpreendente autorização é fruto de uma visita do diretor-geral adjunto de salvaguardas da AIEA, o finlandês Olli Heinonen, a Teerã nos dias 11 e 12 deste mês.
Conforme o estabelecido entre ambas as partes, os inspetores viajarão para Arak, 280 quilômetros ao sudoeste de Teerã, no final de julho, disse a AIEA em comunicado emitido em Viena.
Heinonen se reuniu esta semana com os principais negociadores iranianos em matéria atômica para elaborar um plano de trabalho que estabeleça “as modalidades relativas às questões pendentes sobre o último programa nuclear do Irã”, diz a nota.
O acordo sobre Arak é representativo, já que nesta instalação é produzido plutônio, um dos materiais que pode ser usado para construir armas nucleares. Além disso, ambos concordaram em eliminar o programa de salvaguarda para a usina de enriquecimento de urânio de Natanz (centro do país) no início de agosto.
O urânio enriquecido esteve até agora no centro da disputa na polêmica nuclear entre Irã e a comunidade internacional, por se tratar de um material que possui uso duplo, civil e militar. As partes concordaram ainda em nomear uma nova equipe de especialistas para visitar, daqui para frente, a república islâmica, depois de, no passado, Teerã ter vetado certos inspetores.
Ambos fizeram acertos também para resolver as pendências em relação às experiências com plutônio. Para isso, foi marcada uma reunião no início de agosto. Em termos gerais, a AIEA afirma que o Irã e seus especialistas se dedicarão, no futuro, a esclarecer questões em aberto sobre o alcance e conteúdo do programa de enriquecimento.
Para tratar dos detalhes deste plano de trabalho, foi marcado um encontro em Viena para o final de julho. Resolver os assuntos pendentes da investigação e permitir o acesso a Arak são duas das principais exigências incluídas nas últimas resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear iraniano.
As potências do Conselho negociam uma terceira resolução de condenação ao Irã, que poderia incluir um novo e mais rígido regime de sanções contra Teerã. Para evitar medidas punitivas, o órgão máximo da ONU exige que o Irã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio e que interrompa a construção da usina em Arak.
“Acho que os iranianos temem novas sanções, por isso estão se movimentando agora”, disse um diplomata ocidental em declarações à Efe em Viena. Em todo caso, ressaltaram as mesmas fontes, “isto é, por enquanto, apenas uma tentativa, nada está fechado, poderiam estar apenas tentando ganhar tempo”.
Outro diplomata demonstrou mais otimismo ao dizer que o anúncio de hoje “é claramente um passo positivo para encerrar o caso e a verificação (do programa nuclear iraniano)”. “O ponto crítico será ver quais informações (os iranianos) podem fornecer ao organismo”, acrescentaram as fontes.
“Se os membros do Conselho se mantiverem firmes, o Irã talvez comece a esclarecer tudo o que pode esclarecer”, afirmaram.
A república islâmica, boicotada pelos Estados Unidos desde a Revolução de 1979, trabalhou por quase 20 anos de forma clandestina em alguns âmbitos de seu programa nuclear, como o enriquecimento de urânio, descobertos no verão de 2002 por um grupo da oposição.
Desde então, os especialistas da AIEA tentam verificar se os esforços do Irã no campo nuclear são meramente pacíficos, como afirma Teerã, ou se existem intenções militares. Diante da insistência iraniana em obter urânio enriquecido e com uma usina de água pesada para a produção de plutônio, dois ingredientes-chave para construir bombas atômicas, os EUA e a União Européia desconfiam das intenções iranianas.
Já o Irã garante que todos os aspectos de seu programa nuclear têm apenas finalidade pacífica, como a geração de energia elétrica e a produção de combustível nuclear.