O Irã retaliou em uma escalada da guerra contra os Estados Unidos e Israel, atingindo o centro de energia Ras Laffan no Catar e alvos na Arábia Saudita com mísseis, o que resultou em danos extensos e interrupções no fornecimento global de energia.
O enorme campo de gás Pars, no Irã, foi atingido nessa quarta-feira (18), em meio à guerra iniciada em 28 de fevereiro. Teerã prometeu ataques a alvos de petróleo e gás no Golfo e listou instalações como a Refinaria Samref e o Complexo Petroquímico Jubail na Arábia Saudita, o Campo de Gás Al Hosn nos Emirados Árabes Unidos, e complexos no Catar, alertando para esvaziarem imediatamente.
A QatarEnergy relatou danos extensos em Ras Laffan após o ataque com mísseis iranianos. A Arábia Saudita interceptou e destruiu quatro mísseis balísticos direcionados a Riad e frustrou um ataque de drone a uma instalação de gás no leste do país.
A escalada ameaça agravar a desorganização no fornecimento global de energia. O Irã já fechou o Estreito de Ormuz, que movimenta 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial, embora se espere que a interrupção seja de curta duração se a infraestrutura de produção for poupada.
Os preços do petróleo Brent subiram cerca de 5%, ultrapassando US$ 108 por barril, enquanto os mercados de ações caíram. Nos Estados Unidos, os preços do diesel superaram US$ 5 por galão pela primeira vez desde o aumento da inflação em 2022, elevando riscos políticos para o presidente Donald Trump. Os preços ao produtor americanos tiveram o maior aumento em sete meses em fevereiro, impulsionados por custos mais altos que podem acelerar com a guerra.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o governo anunciará medidas nas próximas 24 a 48 horas para lidar com o aumento dos preços do gás. A chefe de Espionagem americana, Tulsi Gabbard, informou ao Congresso que o governo iraniano foi enfraquecido, mas permanece capaz de atacar interesses dos EUA e aliados no Oriente Médio.
O Catar, aliado dos EUA que abriga a maior base aérea americana na região, culpou Israel pelo ataque a Pars, chamando-o de perigoso e irresponsável, sem mencionar os EUA. Os Emirados Árabes Unidos também denunciaram o incidente. A mídia israelense reportou o ataque a Pars como realizado por Israel com consentimento dos EUA, embora nenhum país tenha assumido responsabilidade imediata. A agência Fars, do Irã, informou que tanques de gás e partes de uma refinaria foram atingidos, com incêndio controlado após evacuação.
A chefe de Política Externa da União Europeia, Kaja Kallas, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, enfatizando a prioridade de passagem segura pelo Estreito de Ormuz e apoio a uma solução diplomática.
Em ações paralelas, militares israelenses atingiram o centro de Beirute, destruindo prédios em ataques aéreos intensos. Israel matou o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, um dia após eliminar o chefe de Segurança Ali Larijani. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu autorizaram ataques a autoridades iranianas de alto escalão sem aprovação adicional.
O Irã retaliou disparando mísseis contra Israel, matando duas pessoas perto de Tel Aviv, segundo autoridades israelenses. Teerã mirou Tel Aviv, Haifa e Beersheba, além de bases americanas no Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Milhares em Teerã participaram do funeral de Larijani e outros líderes mortos.