O Irã anunciou hoje que reduzirá o nível de sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como reação a uma resolução adotada pelo Conselho de Governadores do organismo da ONU que condena suas atividades atômicas.
Ali Asghar Soltanieh, o embaixador do Irã na AIEA, disse que seu país eliminará qualquer cooperação voluntária com os inspetores da ONU que vá além de suas obrigações legais.
“Vamos tentar nos restringir aos limites do acordo de salvaguarda”, disse o diplomata iraniano, minutos depois que a Junta adotou sua primeira resolução contra a República Islâmica em quase quatro anos.
O diplomata iraniano, no entanto, reconheceu que seu país não se retirará do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
Soltanieh anunciou que a resolução “não vai interromper” o programa nuclear do Irã e que seu Governo “não aplicará” o conteúdo do documento, já que se trata de uma “resolução política”.
O texto expressa a “séria preocupação” de que o Irã “desafie as exigências” da comunidade internacional, que pede, entre outros assuntos, a suspensão completa do enriquecimento de urânio, um material de possível dupla utilização, civil e militar.
Por isso, a insistência para que o Irã coopere mais com a AIEA na investigação e ofereça garantias de que não construirá novas usinas nucleares como as não declaradas até agora.
O embaixador dos Estados Unidos, Glyn Davies, disse, em entrevista coletiva após a reunião da Junta, que a “paciência da comunidade internacional com o Irã está se esgotando”.
“Não podemos falar só por falar, sem chegar a onde queremos chegar: a um acordo”, manifestou o chefe da delegação americana diante da AIEA.
Davies rejeitou as alegações do Irã de que esta resolução abala o ambiente de diálogo das últimas semanas nas disputas sobre a questão nuclear.
Para o diplomata americano, o texto adotado hoje é “comedido” e “sem objetivo de punição”, mas deve “reforçar o mandato dos inspetores da AIEA”.
Este último enfrentamento entre Teerã e a comunidade internacional ocorre enquanto a AIEA ainda espera uma resposta iraniana a sua proposta de transferir a maior parte do urânio enriquecido no Irã ao exterior para seu processamento.
Por este acordo que está pendente, França e Rússia se comprometeram a transformar esse material em combustível nuclear para um reator científico em Teerã.
O Irã ainda não contestou de forma oficial esta proposta e fez uma contraproposta de fazer uma troca simultânea de urânio por combustível, algo que a AIEA e a comunidade internacional rejeitam.