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Invalidação de votos coloca em dúvida vitória de presidente do Afeganistão

Arquivo Geral

19/10/2009 0h00

A vitória por maioria absoluta do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, foi novamente posta em xeque, após a ordem de invalidação de votos emitida pelo organismo encarregado de investigar as irregularidades do pleito, realizado no dia 20 de agosto.

A Comissão de Queixas Eleitorais publicou hoje três ordens dadas à Comissão Eleitoral que incluem a invalidação das cédulas de centenas de colégios eleitorais e um novo cálculo aplicando um “coeficiente de fraude” dos votos emitidos em quase 3.500 deles, de um total de 26 mil.

A Comissão de Queixas, um organismo composto por especialistas afegãos e das Nações Unidas, deixou claro à Comissão Eleitoral que não poderá publicar nenhum resultado definitivo do pleito de 20 de agosto até que tome nota de suas instruções.

Os resultados provisórios, anunciados no dia 16 de setembro, deram vitória a Karzai, com 54,6 % dos votos, o que tornava desnecessário um segundo turno com seu principal rival, Abdullah Abdullah.

No entanto, a Comissão de Queixas Eleitorais ordenou hoje a invalidação das cédulas de 210 centros de votação de todo o país, nos quais assegurou ter encontrado “provas claras e convincentes de fraude”.

Também pediu a invalidação de votos de quase todos os 646 colégios que a própria Comissão Eleitoral tinha deixado “em quarentena” por suspeita de fraude, e que não tinham sido considerados no anúncio dos resultados provisórios.

A Comissão de Queixas optou ainda por um complexo sistema para uma nova apuração dos votos nos 3.498 colégios eleitorais que tinha qualificado de “altamente suspeitos de fraude”.

Neles, o organismo “ordenou à Comissão Eleitoral que invalide uma certa porcentagem dos votos de cada candidato em seis categorias diferentes”, segundo o comunicado divulgado pela imprensa.

A mesma ordem não especifica a diferença entre as seis categorias de colégios, nos quais a Comissão de Queixas “calculou um coeficiente de fraude”, que vai de 53,2% a 96,2%, e que o organismo terá que aplicar agora para voltar a calcular os resultados.

Fontes do organismo consultadas pela Agência Efe admitiram a complexidade do cálculo, cujo resultado “será a quantidade de votos que devem ser invalidados do total de cada candidato”, segundo uma das ordens emitidas hoje.

“Não podemos tirar nenhuma conclusão” das ordens da Comissão de Queixas, já que seu conteúdo é “muito técnico” e terá que esperar os resultados que forem extraídos pela Comissão Eleitoral, disse uma fonte do escritório de Karzai consultada pela Efe.

As denúncias de fraude nas eleições no Afeganistão foram feitas em paralelo à própria apuração e ao anúncio dos resultados, no dia 25 de agosto, já apontando para uma vantagem de Karzai sobre Abdullah.

O principal rival do atual presidente do país, ao qual os resultados provisórios deram 27,8% dos votos, foi o primeiro a denunciar a fraude e a acusar a Comissão Eleitoral de parcialidade a favor de Karzai.

No dia 8 de setembro, a Comissão de Queixas ordenou uma nova apuração nos colégios suspeitos, número que posteriormente cifrou em 3.498. A nova contagem não foi iniciada até 5 de outubro, em 10% deles.

Já a missão de observadores da União Europeia (UE) calculou no dia 16 de setembro que havia 1,5 milhão de votos “suspeitos”, dos quais 1,1 milhão eram para Karzai e 300 mil para Abdullah.

Essa denúncia dificultou definitivamente o anúncio dos resultados, pois afetava a mais de 25% do total dos votos emitidos (5,66 milhões), mas não impediu que a Comissão Eleitoral os publicasse no mesmo dia.

Karzai defendeu o tempo todo o trabalho da Comissão Eleitoral e admitiu que a fraude foi “limitada”, e não “generalizada” como denunciou o chefe da missão da ONU no país, Kai Eide, no último dia 11.

Nos últimos dias, aumentou a pressão diplomática internacional por uma saída que torne o processo eleitoral crível, e a imprensa afegã informou sobre negociações com os dois candidatos para que formem um Governo de coalizão.

Os Estados Unidos advertiram que não enviarão mais tropas ao país até que tenham clara a legitimidade do novo Governo.

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