As inundações na Austrália, que suspenderam o funcionamento das minas de carvão, encarecerão o preço desta matéria-prima necessária para produzir aço e energia elétrica, segundo preveem algumas empresas alemãs como Thyssenkrupp e E.on.
O maior produtor alemão de aço, o Thyssenkrupp, prevê uma alta dos preços devido às inundações na Austrália, informou um porta-voz da companhia.
A empresa alemã considera que a suspensão do funcionamento das minas de carvão encarecerá as provisões a curto prazo de carvão e isso se refletirá nos custos de abastecimento no segundo trimestre, que podem ser passados aos clientes.
Queensland, o Estado no nordeste da Austrália afetado pelas inundações, é o maior exportador do carvão necessário para a produção de aço.
Alguns consórcios de mineração não puderam realizar o abastecimento de carvão já que a extração e o transporte ficaram restritos pelas inundações.
Um terço das capacidades mundiais de carvão estão afetadas pelas inundações, segundo o analista de matérias-primas Curt Woodworth, do grupo de consultoria Macquarie.
O preço do carvão no mercado à vista subiu 10%, para US$ 250 por tonelada, e segundo as previsões de alguns especialistas, chegará a US$ 300 nas próximas semanas.
O Thyssenkrupp adquire cerca de 40% das 3,6 milhões de toneladas de carvão de que necessita anualmente da Austrália.
O E.on também teme uma alta do preço do carvão utilizado na produção de energia elétrica.
Uma porta-voz do E.on disse que os principais compradores de carvão australiano como Japão, Coreia do Sul e Taiwan estudam cobrir sua demanda em outros países como Rússia, África do Sul, Estados Unidos e Colômbia, que exportam normalmente à Europa.
Apesar disso, o E.on calcula que os efeitos no setor energético serão menores que no setor do aço, já que Queensland produz grande parte do carvão utilizado na fabricação de aço.