O americano Ronald Noble, order secretário-geral da Interpol, disse hoje que uma tentativa de ataque terrorista durante os Jogos Olímpicos de Pequim é “uma possibilidade real”.
“Temos de estar preparados para a possibilidade de a Al Qaeda ou algum outro grupo terrorista tentar realizar um ataque terrorista letal durante os Jogos Olímpicos”, afirmou Noble.
A organização, com sede em Lyon (sudeste da França) tornou público o discurso feito hoje por seu secretário-geral sobre os preparativos de segurança para os Jogos numa conferência em Pequim.
Segundo Noble, desde o ano passado a Interpol trabalhou em conjunto com as autoridades chinesas, com avaliações de ameaças e um acompanhamento de informações de incidentes terroristas e outros atos criminosos que poderiam afetar os Jogos.
Ele lembrou que na conferência anterior, em setembro de 2007, dissera que a Interpol não tinha recebido informação específica dos policiais de seus 186 países-membros sobre “ameaças terroristas diretas” contra os Jogos Olímpicos.
“Informações de imprensa apontam que a situação mudou claramente desde então. Um exemplo é que a imprensa chinesa falou de diversos complôs frustrados, ligados a grupos separatistas, para perturbar o evento”, comentou.
Algumas das possíveis ameaças seriam ataques a aviões, hotéis, escritórios governamentais e alvos em Pequim e nas outras cidades-sede com veneno, gás tóxico e bombas de controle remoto.
Atentados suicidas e seqüestro de atletas estrangeiros, espectadores e turistas também podem ocorrer.
O secretário-geral também comentou a Polícia indonésia deteve em dezembro alguns supostos membros da Al Qaeda que tinham um mapa com indicações e notas sobre diversos locais de competições em Pequim.
Nobre apontou que os recentes protestos ligados ao Tibete trazem “complicações extras significativas” às considerações “normais” de segurança para um grande evento internacional como os Jogos Olímpicos.
Após lembrar as manifestações registradas durante a passagem da chama olímpica de Pequim por várias cidades, ele disse que é preciso se preparar para “a possibilidade de grupos e indivíduos responsáveis pela violência” realizarem protestos nos Jogos.
A Interpol, que enviará uma equipe a Pequim para treinar agentes chineses em operações de crise, também trabalha com as autoridades da China para instalar um sistema no aeroporto e outros pontos de entrada no país.
A intenção é usar o banco de dados da organização, que consta de mais de 14 milhões de passaportes e outros documentos de viagem roubados ou perdidos.