Em uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA convocada para avaliar a situação em Honduras após a interrupção do processo de execução do Acordo Tegucigalpa-San José, Insulza afirmou que “não parece ser possível retomar um diálogo” entre o presidente deposto, Manuel Zelaya e o de fato, Roberto Micheletti.
No entanto, em declarações à Agência Efe, Insulza disse que a OEA continuará em Honduras, intermediando na crise até sua solução.
O Acordo Tegucigalpa-San José, assinado em 30 de outubro, foi declarado como rompido por Zelaya na semana passada depois que o Governo de fato anunciou a formação de um Executivo de Unidade sem representantes do presidente deposto.
O Governo de fato culpa Zelaya por ter rompido o acordo ao se negar a entregar a lista com seus nomes para o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, que devia ter sido constituído no último dia 5.
Insulza defendeu o presidente deposto ao afirmar que Zelaya não enviou os nomes porque na carta que Micheletti enviou a ele no dia 3 de novembro ficou claro que o presidente de fato iria formar um Governo de maneira unilateral e dirigido por ele.
Nos últimos dias, o presidente da OEA manteve longas conversas com Zelaya, cuja “frustração tinha chegado ao limite e não estava disposto a entrar no jogo da ditadura”.
“(Zelaya) pensa que o acordo não foi cumprido porque se quis um Governo unilateral, o tema da restituição não foi resolvido e que isto constitui uma tentativa do Governo de fato de ir pela proposta da terceira via”, explicou Insulza.
O Governo de fato sustenta que somente a Comissão de Verificação – da qual participam o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís – pode dar o acordo como fracassado, apontou.
Portanto, “não descarto pedir aos membros internacionais da Comissão para que emitam sua opinião sobre o ocorrido”, antecipou o presidente da OEA.
Insulza assegurou que a solução da situação em Honduras passa pela renúncia de Micheletti, para que o Congresso possa se pronunciar livremente sobre a restituição de Zelaya e, assim, abrir o caminho para a criação de um Governo de Unidade e a realização das eleições no próximo dia 29.
O Governo de fato pediu à OEA para que envie uma missão de observadores a esse pleito, mas Insulza afirmou hoje que essa possibilidade “sequer poderia ser considerada”.
O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes e Silva, chamou a situação em Honduras de “telenovela” e reiterou que o Governo de fato está “atuando com má fé, como sempre”.
Diversos países-membros da OEA, como a Nicarágua, voltaram a assegurar que não reconhecerão o resultado das eleições em Honduras caso Zelaya não seja restituído.
O embaixador da Venezuela na entidade, Roy Chaderton, afirmou que seu país “protesta e eleva sua voz quando muitas vozes começam a se apagar”, em referência aos EUA.
O representante americano na OEA, Lewis Amselem, sustentou que, caso a organização rejeitar o resultado do pleito antes de sua realização, violaria o direito dos hondurenhos de determinar seu próprio futuro.
“A OEA não deve dar as costas ao acordo e deve continuar perseguindo a plena execução do pacto. Deve evitar recomendações não práticas e inalcançáveis que poderiam afetar negativamente os hondurenhos e o futuro do organismo”, ressaltou.
Por fim, Amselem pediu para que Zelaya e Micheletti implementem “sem atraso” o acordo para possibilitar eleições “livres e transparentes” como solução definitiva para a crise.