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Mundo

Insulza deixa pouco espaço para otimismo sobre acordo em Honduras

Arquivo Geral

10/11/2009 0h00


O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse hoje achar difícil que o diálogo político seja retomado em Honduras para destravar os obstáculos surgidos na implementação do acordo, deixando pouco espaço para otimismo.

Em uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA convocada para avaliar a situação em Honduras após a interrupção do processo de execução do Acordo Tegucigalpa-San José, Insulza afirmou que “não parece ser possível retomar um diálogo” entre o presidente deposto, Manuel Zelaya e o de fato, Roberto Micheletti.

No entanto, em declarações à Agência Efe, Insulza disse que a OEA continuará em Honduras, intermediando na crise até sua solução.

O Acordo Tegucigalpa-San José, assinado em 30 de outubro, foi declarado como rompido por Zelaya na semana passada depois que o Governo de fato anunciou a formação de um Executivo de Unidade sem representantes do presidente deposto.

O Governo de fato culpa Zelaya por ter rompido o acordo ao se negar a entregar a lista com seus nomes para o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, que devia ter sido constituído no último dia 5.

Insulza defendeu o presidente deposto ao afirmar que Zelaya não enviou os nomes porque na carta que Micheletti enviou a ele no dia 3 de novembro ficou claro que o presidente de fato iria formar um Governo de maneira unilateral e dirigido por ele.

Nos últimos dias, o presidente da OEA manteve longas conversas com Zelaya, cuja “frustração tinha chegado ao limite e não estava disposto a entrar no jogo da ditadura”.

“(Zelaya) pensa que o acordo não foi cumprido porque se quis um Governo unilateral, o tema da restituição não foi resolvido e que isto constitui uma tentativa do Governo de fato de ir pela proposta da terceira via”, explicou Insulza.

O Governo de fato sustenta que somente a Comissão de Verificação – da qual participam o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís – pode dar o acordo como fracassado, apontou.

Portanto, “não descarto pedir aos membros internacionais da Comissão para que emitam sua opinião sobre o ocorrido”, antecipou o presidente da OEA.

Insulza assegurou que a solução da situação em Honduras passa pela renúncia de Micheletti, para que o Congresso possa se pronunciar livremente sobre a restituição de Zelaya e, assim, abrir o caminho para a criação de um Governo de Unidade e a realização das eleições no próximo dia 29.

O Governo de fato pediu à OEA para que envie uma missão de observadores a esse pleito, mas Insulza afirmou hoje que essa possibilidade “sequer poderia ser considerada”.

O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes e Silva, chamou a situação em Honduras de “telenovela” e reiterou que o Governo de fato está “atuando com má fé, como sempre”.

Diversos países-membros da OEA, como a Nicarágua, voltaram a assegurar que não reconhecerão o resultado das eleições em Honduras caso Zelaya não seja restituído.

O embaixador da Venezuela na entidade, Roy Chaderton, afirmou que seu país “protesta e eleva sua voz quando muitas vozes começam a se apagar”, em referência aos EUA.

O representante americano na OEA, Lewis Amselem, sustentou que, caso a organização rejeitar o resultado do pleito antes de sua realização, violaria o direito dos hondurenhos de determinar seu próprio futuro.

“A OEA não deve dar as costas ao acordo e deve continuar perseguindo a plena execução do pacto. Deve evitar recomendações não práticas e inalcançáveis que poderiam afetar negativamente os hondurenhos e o futuro do organismo”, ressaltou.

Por fim, Amselem pediu para que Zelaya e Micheletti implementem “sem atraso” o acordo para possibilitar eleições “livres e transparentes” como solução definitiva para a crise.

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