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ING: medo de estagflação nos EUA cresce com tarifas e pode limitar corte de juros pelo Fed

Os dados mais recentes do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) só reforçam esse cenário, de acordo com o banco

Redação Jornal de Brasília

28/03/2025 21h46

Foto: Jim Watson/AFP

São Paulo, 28 – A combinação de inflação alta e consumo em desaceleração nos Estados Unidos tende a se intensificar com as medidas agressivas do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre tarifas e cortes de gastos públicos, aponta o ING. “Os temores de estagflação estão aumentando e devem limitar a capacidade do Federal Reserve (Fed) de cortar juros ainda mais “

Os dados mais recentes do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) só reforçam esse cenário, de acordo com o banco.

“Estamos indo na direção errada, e o risco é que as tarifas elevem ainda mais os preços, mantendo a inflação alta. Isso limitará a capacidade do Fed de cortar juros”, destaca o ING.

O banco holandês aponta que o temor de perda de poder de compra devido às tarifas e as preocupações com empregos, ligadas às medidas do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês), derrubaram o sentimento do consumidor. “Isso parece estar se traduzindo em um consumo muito mais fraco”, diz

O presidente do Fed, Jerome Powell, minimizou essa narrativa no início do mês, mas o ING acredita que a próxima fala dele, na semana que vem, pode trazer mudanças de tom.

Enquanto isso, o banco prevê revisões para baixo nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Com o consumo real quase estável em março ante fevereiro, “o gasto do consumidor no trimestre ficará em -0,1% anualizado, o primeiro resultado negativo desde o segundo trimestre de 2020, no auge da pandemia”.

Com números ruins também no comércio exterior, o ING alerta para o risco de um PIB negativo no primeiro trimestre. À medida que o mercado se prepara para o “dia da liberação” em 2 de abril, com as tarifas recíprocas, e, depois, para o relatório de empregos (payroll) e o discurso de Powell, a expectativa é de uma semana volátil. “Tudo isso prepara o terreno para fortes oscilações nos mercados”, acrescenta.

Estadão Conteúdo

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