Um grande e festivo evento parou o centro de La Paz nesta quarta-feira (19) para receber os indígenas que chegaram ali após 66 dias de passeata, com a intenção de permanecer até que o presidente da Bolívia, Evo Morales, paralise as obras de uma estrada que atravessará uma reserva natural.
Dezenas de milhares de pessoas homenagearam os manifestantes nas calçadas, ou se somaram à marcha de forma espontânea, e lhes receberam com abraços, beijos, cantos, presentes, roupas e comida, em uma festa que não se via há muito tempo na capital boliviana.
“Nunca pensamos nesta recepção que já faz parte da história dos bolivianos”, disse o líder da Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB), Adolfo Chávez.
Os manifestantes caminharam mais de 500 quilômetros para forçar Morales a se retratar da decisão de construir a estrada que atravessará o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis).
Os indígenas defendem a reserva natural, de 1,2 milhões de hectares, porque acreditam que a estrada financiada pelo Brasil permitirá que suas terras sejam invadidas por madeireiros e produtores de coca.
O ministro da Comunicação da Bolívia, Ivan Canelas, disse em entrevista coletiva que a chegada da passeata à praça Murillo foi permitida, mas advertiu sobre a presença de ativistas políticos que podem provocar violência.
Os indígenas, segundo Chávez, dedicarão o dia para receber os diversos setores que lhes apoiaram e na quinta-feira esperam concretizar o diálogo finalmente aceito por Morales para analisar suas reivindicações, após dois meses de tratativas.
A passeata chega depois que Morales sofreu no domingo a primeira derrota eleitoral desde 2005, em pleitos judiciais nos quais a oposição estimulou os votos nulos ou em branco, que superaram com 60% os sufrágios válidos, que não chegaram a 40 %.