O Governo indiano exigiu hoje à China que deixe de colaborar com o Paquistão no estabelecimento de projetos na Caxemira “ilegalmente ocupada pelo Paquistão”, apenas um dia depois que os gigantes asiáticos mostrassem suas diferenças por outra disputa territorial.
Em comunicado, o Ministério indiano de Assuntos Exteriores instou à China que tenha “um olhar a longo prazo” das relações bilaterais e renuncie à “estas atividades em áreas ilegalmente ocupadas pelo Paquistão”.
A Índia reagiu assim às declarações do presidente da China, Hu Jintao, que na visita a Pequim do primeiro-ministro paquistanês, Yousef Razá Guilani, apostou por seguir colaborando com o país em projetos na Caxemira paquistanesa, no marco das estreitas relações entre ambos países.
“Paquistão ocupa ilegalmente partes do estado indiano de Jammu e Caxemira desde 1947. A parte chinesa é totalmente consciente da postura da Índia e de nossa preocupação pelas atividades chinesas” no lado paquistanês, sustentou a nota.
A Índia acusa a China de ocupar ilegalmente 8 mil quilômetros quadrados na Caxemira, região histórica que também disputa com o Paquistão desde a partilha do subcontinente em 1947.
Na atualidade, a metade do território aproximadamente está sob controle indiano, um terço com o Paquistão e o resto cai em domínio chinês.
O protesto indiano chega depois que a China dissesse ontem sentir-se “profundamente insatisfeita” pela viagem do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, ao estado de Arunachal, por ocasião de eleições ao Parlamento regional.
O Governo indiano contestou à China que Arunachal é uma parte “inalienável” de seu território e que é habitual que autoridades se desloquem aos estados onde se realizam eleições regionais.
Em 1962, China e a Índia protagonizaram uma guerra pela soberania dos estados da Caxemira (noroeste indiano), Arunachal e Sikkim (nordeste), e têm disputas territoriais ainda por resolver.