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Incentivos anunciados por Chávez geram críticas de empresários venezuelanos

Arquivo Geral

12/06/2008 0h00

Os empresários venezuelanos da oposição não receberam bem os incentivos que o presidente Hugo Chávez anunciou ontem à noite para as empresas privadas, price que foram convocadas pelo líder da Venezuela a unirem-se ao socialismo.

Além de eliminar dívidas e impostos, patient agilizar a importação e criar um fundo para os empresários de US$ 1 bilhão, stuff dos US$ 75 bilhões previstos este ano a entrarem pelas vendas de petróleo, Chávez pediu que as empresas invistam no país e que colaborem para um combate a inflação de forma conjunta.

Foram anúncios “que não vão diminuir a inflação”, disse o presidente da Fedecámaras, a principal patronal nacional, José Manuel González, que criticou a eliminação das dívidas de alguns empresários.

Este e outros dirigentes patronais não figuraram entre os 500 empresários presentes no palácio presidencial durante o discurso de Chávez. Entre eles Oswaldo Cisneros, Lorenzo Mendoza e Juan Carlos Escote, que formam um grupo dos chamados emblemáticos, que nas primeiras horas depois dos anúncios não fizeram comentários.

“Do rumo socialista não nos apartará nada nem ninguém” e, sem excluir os empresários, continuaremos avançando “pela esquerda, para recolocar o Estado no lugar que deve estar”, disse Chávez.

O presidente venezuelano destacou que durante o ano não se imporá aos importadores barreiras que demandem dinheiro, de acordo com o controle estatal de câmbio vigente e com o controle estatal de preços e tarifas que, no entanto, só se aplicam a valores inferiores a US$ 50 mil.

“Premia a importação com a eliminação dos requisitos para obter US$ 50 mil, embora isso não seja nada também”, disse González. Para ele, Chávez “perdeu uma oportunidade de ouro” para anunciar a eliminação da intervenção estatal na economia.

Segundo Gonzáles, a busca de Chávez por um trabalho conjunto com os privados para baixar uma inflação que chegou a 22,5% no ano passado e que nos primeiros cinco meses de 2008 já acumula 12,4% não terá sucesso enquanto ele disser que não reduzirá o gasto público.

“O presidente foi muito claro ao dizer que continuará havendo dinheiro na rua, muita demanda de bens e pressão inflacionária” e assim “a inflação continuará galopante”, disse o presidente da Fedecámaras.

De acordo com Chávez, o cenário atual registra uma desaceleração adicional da economia, que no primeiro trimestre chegou a 4,8% contra 8,8% no mesmo período de 2007, e que este ano registrará um avanço de entre 5% e 6%.

Também na busca por essa meta, anunciou a eliminação do Imposto às Transações Financeiras que cobrava 1,5% de qualquer movimentação bancária de qualquer transação empresarial.

“Em um país com os recursos petroleiros que se têm agora, não se justifica nenhum imposto”, disse o presidente da Fedecámaras.

O presidente do principal sindicato industrial, Eduardo Gómez, advertiu que Chávez destacou a importância da produção interna, mas ao mesmo tempo premiou os importadores.

“Isto se transformou em um vício” neste Governo, disse.

Gómez, também lamentou que o chefe de Estado não mencione outros assuntos, como o conflito trabalhista.

“Como (Chávez) quer um aumento na produção, se as empresas têm paralisações constantes e recorrentes por uma de conflito trabalhista promovido pelo mesmo Governo, criando os sindicatos paralelos?”, disse Gómez.

Para ele, os anúncios, “sem dúvida”, refletem “uma boa disposição” do Governo, embora “não se resolva o problema”, agravado por um déficit de “segurança jurídica” que desestimula o investimento privado nacional que Chávez deseja.

“O presidente continua insistindo, é o seu lema, que aqui a economia é socialista, de controles e de regulações, que aqui não haverá livre mercado”, criticou Gómez, que, no entanto, considerou “oportuno” que eliminasse o Imposto às Transações Financeiras.

Também identificou “uma motivação temporal eleitoral”, visando os pleitos municipais e regionais de novembro, no anúncio de mais agilidade burocrática para que os empresários consigam com maior rapidez às divisas administradas pelo Estado.

O presidente da Federação Nacional de Criadores de Gado (Fedenaga), Genaro Méndez, também interpretou que os incentivos estatais são para os importadores e não para os produtores, portanto “não indicam que vão melhorar a situação agropecuária”.

Sobre o perdão de dívidas, admitiu que “é um bom apoio”, mas lamentou que Chávez não tenha anunciado também “a investigação da corrupção” em instâncias de crédito estatais.

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