A ira dos habitantes do povoado de Zaharo, more about onde foi registrada grande parte dos 64 mortos devido aos incêndios na Grécia, é nítida em virtude da falta de prevenção e descoordenação das autoridades nos trabalhos de extinção das chamas.
O vice-prefeito de Zaharo, Gianis Skhisas, disse que “o Governo, com sua irresponsabilidade e guiado pelos grandes interesses que representa, chora com lágrimas de crocodilo, como a viúva que perde o marido e chora em sua sepultura, quando na verdade queria que ele morresse porque tinha um amante”.
Skhisas lamentou que “não havia dinheiro para a proteção das florestas, nem informação do departamento florestal, nem funcionários para advertir aos habitantes que devem respeitar o meio ambiente”.
O prefeito do povoado, Pandatzis Chronopoulos, reconhece que “houve alguns problemas com as gestões de extinção, mas foram logo superados. As pessoas achavam que o dinheiro acabaria, mas há muito tempo pela frente”.
As autoridades quiseram separar a extinção dos incêndios das eleições gerais antecipadas convocadas pelo primeiro-ministro conservador grego, Costas Caramanlis, para 16 de setembro, mas a rápida e pouco burocrática distribuição de dinheiro aos atingidos pela destruição criou uma imagem de intenção de “comprar votos”.
Zaharo, um dos povoados mais atingidos na Península do Peloponeso, está perto de Artemisa, onde na semana passada uma mãe e seus quatro filhos mais novos morreram carbonizados após um acidente de trânsito em uma estrada rural quando fugiam das chamas.
Neste povoado, assim como em outros atingidos pelos piores incêndios florestais em décadas na Grécia, os desabrigados formaram longas filas nas agências bancárias para receberem os primeiros 3 mil euros de ajuda do Governo.
Thanos e Cristina, casal que tem uma casa de veraneio em Zaharo, mas não sofreu danos, denunciaram ter visto algumas pessoas nas filas dos bancos para ganhar as indenizações, apesar de não terem direito a recebê-las.
Nos primeiros dois dias de entregas de compensações econômicas foram registradas 60 denúncias e 15 detenções.
Chronopoulos, no entanto, afirmou que equipes da Prefeitura investigam a gravidade dos danos “desde o primeiro momento, o que ninguém pode desmentir”.
Em direção à costa, a cerca de dois quilômetros de Zaharo, foi montado um acampamento para receber as centenas de desabrigados, mas a maioria preferiu se alojar em casas de familiares ou em hotéis, à espera das casas pré-fabricadas prometidas pelo Governo. O Peloponeso é uma região majoritariamente agrícola e de rebanhos de montanha.
Grande parte das oliveiras e do gado foi carbonizada, e calcula-se que cerca de 250 mil hectares foram destruídos nos oito dias de incêndios.
O vice-prefeito Skhisas lamentou que “os fundos da União Européia tenham sido utilizados sem destinar nada para a proteção das florestas, e o pessoal capacitado foi trocado, com critérios políticos, por inúteis”.