Diante da devastação causada pelos incêndios florestais na Grécia, seek cresce hoje o mal-estar e a indignação da população, que acusa o Governo de Costas Caramanlis de ser incapaz e ineficaz na luta contra as chamas.
O fogo devastou parte da Península do Peloponeso, e o número de mortos já chega a 63. Além disso, três mil pessoas tiveram as casas destruídas, segundo as autoridades locais. O Executivo está sendo especialmente pressionado, a apenas 20 dias das eleições legislativas antecipadas, dia 16 de setembro. O Governo está oferecendo recompensas de entre € 100 mil e € 1 milhão para encontrar supostos incendiários responsáveis pela tragédia.
Nas regiões mais afetadas, principalmente no Peloponeso, o desespero e a revolta dos desabrigados aumentam a cada hora. Muitos habitantes de aldeias atingidas ou ameaçadas pelas chamas asseguram, em declarações às emissoras locais, que as autoridades os abandonaram diante do perigo.
“O Governo é inepto, não pode nos proteger. A organização dos trabalhos de extinção foi péssima”, disse um dos desabrigados a uma televisão local. Outros criticam as autoridades porque só teriam começado a aplicar um plano de remoção dos habitantes no quarto dia de incêndios.
Enquanto isso, o Governo está tentando acalmar os ânimos. “A situação está melhorando, mas ainda temos problemas com focos de incêndio nas prefeituras da Élida, na Messínia, e Arcádia, no Peloponeso, e na ilha da Eubéia”, disse hoje o ministro da Ordem Pública, Byron Polidoras.
Ele acrescentou que a Grécia está enfrentando “ameaças assimétricas” e assegurou que há “indícios, testemunhos e provas” sobre pessoas que supostamente atearam fogo intencionalmente.
O promotor especial para terrorismo e crime organizado, Dimitris Papangelopoulos, ordenou o serviço antiterrorista a estudar a incorporação de “provocação de incêndios” como crime tipificado na legislação antiterrorista.
O líder da oposição, Giorgos Papandreou, do partido socialista Pasok, criticou o Governo de Karamanlis por se “negar a assumir as responsabilidades e se fazer de vítima, com as insinuações que se referem a planos organizados de incêndios criminosos”.
Por sua vez, a secretária-geral do Partido Comunista, Aleka Papariga, declarou que “as alusões a ameaças assimétricas têm como objetivo aterrorizar a população e desorientar o eleitorado”.
As emissoras gregas, que qualificam os incêndios como a pior catástrofe natural do país, falam de quatro grandes focos e dezenas de outros menores, ao redor de Olímpia, no oeste, Kalamata, no sudoeste, e Esparta, no sudeste do Peloponeso.
Os fortes ventos estão dificultando muito os esforços dos bombeiros locais, que, em algumas regiões, nem sequer têm o apoio de aviões ou helicópteros-tanque. A Força Aérea grega retirou hoje os habitantes de algumas localidades próximas a Olímpia, diante do rápido avanço das chamas.
Apesar do perigo, em alguns lugares perto dos focos de incêndio, os bombeiros informaram hoje que muitos habitantes “se negavam a deixar suas casas e seus bens”. Enquanto isso, em todo o país são registradas denúncias contra supostos incendiários, e pelo menos 100 pessoas foram detidas temporariamente sob suspeita de terem provocado incêndios. Até agora, porém, só sete delas foram formalmente denunciadas.
A imprensa local suspeita que, em muitos casos, incêndios criminosos teriam sido estimulados por especuladores de terrenos, que esperam conseguir a valorização das terras antes de construir imóveis.