A organização terrorista basca ETA sofreu hoje um novo golpe, ask com a prisão de seu suposto chefe de logística, Juan Cruz Maiza Artola, e outros dois ativistas na França, somando cerca de 20 membros presos desde o fim da trégua estabelecida pelo grupo.
A detenção de Maiza Artola, Iker Iparraguirre Galárraga e Bihotz Cornago Arnaez ocorreu por volta do meio-dia, na cidade de Rodez, capital do departamento de Aveyron.
A operação policial foi qualificada de “muito importante” pelo ministro de Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba. Ele disse que a prisão de Maiza Artola é uma “forte perda” para a ETA, pois o grupo ficou sem o “chefe de seu aparato logístico” e sem uma pessoa que ocupava uma posição de “altíssima responsabilidade”. Os outros dois são “apenas ativistas”, segundo Pérez Rubalcaba.
O ministro agradeceu às forças de segurança francesas por sua colaboração, gesto que será repetido amanhã pelo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em encontro com o primeiro-ministro francês, François Fillon, em Madri. Com as três prisões de hoje, já são 14 os supostos membros da ETA detidos na França em apenas sete semanas.
A operação de hoje foi realizada em duas etapas: primeiro, foram capturados Iparraguirre e Cornago, saindo do apartamento que tinham alugado; em seguida, os policias detiveram Maiza Artola na casa. Os policiais decidiram agir quando viram que o casal deixava o edifício com malas, o que lhes fez temer uma fuga.
Nenhum dos três detidos, que ainda não se pronunciaram, opôs resistência à prisão, segundo as fontes. Estas afirmaram, ainda, que o apartamento alugado no início de julho pelos suspeitos pertencia à mulher de um policial. Ela suspeitou das identidades fornecidas pelo grupo e alertou a Polícia.
Os três devem permanecer presos em Rodez, até que o imóvel tenha sido completamente revistado, assim como o carro que o casal utilizava. Depois, eles serão levados a Paris.
Até agora, os policiais apreenderam detonadores, alguns documentos e material retirado de computadores, segundo as fontes consultadas pela Efe. Não foram encontradas armas.
Maiza Artola, conhecido pelos codinomes de “Giuseppe” e “Lohi”, foi julgado à revelia na França em 2005 e condenado a nove anos de prisão, em um julgamento realizado no Tribunal Correcional de Paris.
Ele foi acusado de ser o dirigente da ETA na região de Bordeaux, no sudoeste da França, e de ocupar a chefia de logística do grupo, entre os anos de 2002 e 2005. Vestígios de sua passagem foram encontrados em quatro esconderijos descobertos no país.
Tanto Iparraguirre como Cornago, ambos de aproximadamente 30 anos, estavam na lista de terroristas mais procurados na França e na Espanha. Isto porque seus nomes apareceram na documentação apreendida com o ex-dirigente da ETA Ibón Fernández de Irado, conhecido como “Surper”, em 2002, na França.
Iparraguirre estava foragido desde 2005, quando conseguiu escapar de um cerco policial, em uma operação que desmantelou o aparelho de captação da organização terrorista na Espanha.
Cornago fazia parte do aparato logístico da ETA há cerca de quatro anos, e responde pela acusação de fornecer armas e explosivos ao grupo terrorista.
As prisões de hoje foram efetuadas apenas um dia depois da detenção de Pablo Aperribay Bediaga, na cidade de Lennemezan, no sudoeste da França, pela Polícia Municipal.