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Mundo

Igreja francesa pede cautela ao Vaticano com missa em latim

Arquivo Geral

27/10/2006 0h00

A Igreja francesa alertou o Vaticano a não se apressar em retomar a missa em latim como forma de atrair os tradicionalistas sem considerar os riscos de readmiti-los entre os fiéis. O arcebispo de Paris, sildenafil look André Vingt-Trois, order  afirmou a um dirigente do Vaticano que os tradicionalistas excomungados em 1988 podem ameaçar a unidade mundial de Igreja e reverter reformas importantes do Concílio Vaticano Segundo, generic da década de 1960.

Outro prelado francês, o arcebispo Robert Le Gall, de Toulouse, alertou que readmitir a ultraconservadora Sociedade de São Pio 10o (SSPX) pode também voltar os católicos favoráveis às reformas contra o pontificado de Bento XVI.

Fontes eclesiásticas afirmam que o papa pretende revogar as excomunhões dos bispos da SSPX e autorizar padres a seguirem a missa latina instituída em 1570 e praticamente abandonada em detrimento das línguas vernáculas nas últimas décadas. "A verdadeira questão não é a língua usada", afirmou Vingt-Trois em uma conferência ontem em Paris, da qual participou também o cardeal Francis Arinze, encarregado pelo Vaticano de questões litúrgicas.

"Sob a capa de uma campanha para defender certo tipo de liturgia, há uma crítica radical ao Concílio Vaticano, ou mesmo a rejeição explícita de algumas das suas declarações", afirmou. "Isso claramente coloca uma questão sobre a unidade da Igreja e a autoridade do Concílio".

Embora a missa em latim provoque enorme polêmica, a demanda por esse tipo de celebração é mínima. A ampla maioria dos católicos continuaria a frequentar missas modernas, em línguas vernáculas. As reformas do Concílio Vaticano Segundo incomodou os ultraconservadores por abandonar a missa em latim, dar a leigos um maior papel nos serviços religiosos, declarar o respeito pelo Judaísmo e admitir a cooperação com outras denominações cristãs.

A disputa com a SSPX, que tem sede na Suíça e cerca de 1 milhão de seguidores no mundo, se arrasta há 18 anos e também tem repercussões políticas na França, porque alguns de seus membros são ligados a movimentos monarquistas ou de ultradireita.
Vingt-Trois lembrou que os clérigos da SSPX insultaram abertamente o falecido papa João Paulo II, ocuparam sua principal igreja parisiense à força e tentaram em vão controlar uma segunda igreja.

João Paulo II era menos inclina do a lidar com a SSPX do que Bento XVI. Assim como seu antecessor, o atual pontífice não esconde sua admiração pela missa em latim e pela liturgia tradicional. À diferença de João Paulo II, porém, Bento XVI parece mais interessado em resolver o cisma. Le Gall, principal autoridade francesa em questões litúrgicas, afirma que uma decisão muito rápida a respeito da SSPX pode incomodar os católicos mais comuns, que não veriam com bons olhos uma volta às velhas práticas.

"Arriscamos a criar uma frente de tristeza, desanimo e frustração com a Santa Sé", afirmou ele. "A liturgia é só a ponta do iceberg". Segundo ele, Bento XVI e Arinze foram mais influenciados por cartas com queixas, muitas delas enviadas por tradicionalistas, do que pela vida real da Igreja na França.

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