O secretário-geral ibero-americano, dosage Enrique Iglesias, disse hoje que o confronto verbal protagonizado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, com a delegação espanhola no fechamento da 17ª Cúpula Ibero-Americana mais que um empecilho será um incentivo para as próximas cúpulas.
Iglesias compareceu hoje ao Senado espanhol (câmara alta do Parlamento) para analisar o desenvolvimento e as conquistas da Cúpula realizada na semana passada no Chile, que culminou “com os incidentes que os senhores conhecem”, disse.
Segundo Iglesias, com o ocorrido, as Cúpulas mais que prejudicadas “foram desafiadas”, e assegurou que este é o espírito com o qual a Secretaria-Geral Ibero-Americana vai trabalhar para o futuro.
O secretário-geral lamentou o ocorrido, porque fatos assim ofuscam todo o trabalho desenvolvido na Cúpula, da qual disse que foi a que mais sucessos concretos colheu.
No entanto, Iglesias, que participou das 17 edições da Cúpula, lembrou, que “não é a primeira vez que acontecem incidentes deste tipo”.
Reconheceu que a América Latina “está dividida quanto às percepções do que têm que ser as políticas econômicas e sociais”, e por isso “precisa de um fórum para discutir estes assuntos”.
Quatro dias depois do incidente continua o debate político desencadeado pelo mesmo.
A secretária de Estado espanhola para a região ibero-americana, Trinidad Jiménez, fez hoje um apelo a “todos para tentar diminuir a tensão e o tom das trocas verbais” que aconteceram nos últimos dias sobre o incidente.
Jiménez disse que o Governo espanhol “está tentando trabalhar de forma tranqüila e discreta, utilizando todos os serviços que dispõe a diplomacia espanhola, para tentar colocar um ponto final a esse incidente, que sabemos que foi grave, sobretudo porque afeta a figura do Rei”.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou hoje que vai submeter as relações com a Espanha a uma “profunda revisão” e advertiu que as atividades de todas as empresas espanholas instaladas no país serão vigiadas.
“Neste momento, estou submetendo a uma profunda revisão as relações políticas, diplomáticas e econômicas com a Espanha”, disse Chávez em entrevista à televisão local “TVO”, na cidade venezuelana de Barcelona, a 321 quilômetros de Caracas.
“Isso significa que as empresas espanholas vão ter de começar a prestar mais contas e que eu vou colocar o olho para ver o que estão fazendo aqui”, disse.