As relações entre China e Índia tiveram alguns momentos de tensão envolvendo disputas de fronteira desde que o dalai lama, líder espiritual tibetano exilado em território indiano, anunciou que viajaria a Arunachal Pradesh, região reivindicada pelos dois países.
O porta-voz da Chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu, classificou hoje o dalai lama de “separatista”, já que com sua anunciada viagem à região apoia indiretamente sua pertinência à Índia, e o acusou de dizer “mentiras” que prejudicam as relações da China com outros países.
China e Índia tiveram uma guerra fronteiriça em 1962, quando as forças de Pequim, que não reconhecem a fronteira norte (Linha McMahon), ocuparam Arunachal Pradesh, de onde foram expulsas pelo Exército indiano.
O dalai lama, exilado na Índia desde a década de 1950, quando fracassou um levantamento tibetano contra os comunistas chineses, disse estar “surpreso” com a reação chinesa.
Vários conflitos fronteiriços costumam deixar ainda mais complicadas as nunca fáceis relações entre os dois países mais povoados do mundo.
Nas últimas semanas, a China começou a emitir vistos especiais para os indianos da região da Caxemira, disputada também por Índia e Paquistão. O visto, que não vai junto ao passaporte como é habitual, está sendo rejeitado pelas autoridades indianas, que impedem os donos do documento de embarcar no avião.
Os dois países iniciaram em 2005 um mecanismo de resolução de disputas, como as fronteiriças e sobre proliferação nuclear, já que a Índia acusa também a China de enviar mísseis ao Paquistão.
Apesar desse mecanismo, a Caxemira continua sendo um dos territórios mais militarizados do planeta, com porções administradas por China, Índia e Paquistão.
Pequim reiterou hoje que as relações com a Índia são boas e que sua postura sobre a Caxemira não mudou, apesar de sua nova emissão de vistos, que é feita depois que desde julho a Índia iniciou uma nova política contra os imigrantes chineses.