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ICE prende 2.100 imigrantes em NY em um mês e afronta democratas locais

Prisões ocorreram durante operação de quatro dias e ampliam pressão do governo Trump sobre imigrantes

Redação Jornal de Brasília

01/09/2026 17h46

ice imigração

Foto: Charly Triballeau / AFP

MAYARA PAIXÃO
FOLHAPRESS

A agência de imigração dos Estados Unidos, o ICE, prendeu mais de 2.100 imigrantes na cidade de Nova York e arredores no último mês, anunciou nesta terça-feira (1º), em um afrontoso discurso, o secretário de Segurança Interna, o ex-senador Markwayne Mullin.

“Aqui em Nova York há um prefeito socialista que, em vez de trabalhar ao lado da polícia, reduz o seu orçamento e se recusa a trabalhar com a gente”, disse Mullin, em referência ao democrata-socialista Zohran Mamdani, que assumiu o posto no início deste ano e contraria a agenda de migração do governo de Donald Trump.

As prisões ocorreram no âmbito da Operação Maçã Podre, de 27 de julho ao último dia 29, e incluíram a cidade de Nova York, além de Long Island e Hudson Valley. Aos olhos de Washington, trata-se de mais um louro para Mullin, que em março substituiu Kristi Noem no cargo e conseguiu, nos últimos meses, atingir recordes de detenções de imigrantes, o objetivo da administração republicana.

Já para Mamdani, trata-se de uma espécie de desafio, justamente em um momento no qual sua corrente no Partido Democrata, os socialistas, tem ganhado força entre os eleitores.

Desde que assumiu o cargo, ele, que é muçulmano e nasceu no exterior, acolheu a agenda migratória e retomou o status de santuário da cidade, termo que na política americana se refere a administrações municipais ou estatais que não cooperam com as políticas de detenção e deportação do governo federal.

Sua gestão insiste que “nova-iorquino” deve ser um conceito alargado para incluir todos aqueles que vivem na cidade, não apenas os de nacionalidade americana, incluindo imigrantes, até aqueles que ainda esperam resposta para seus pedidos de asilo.

Bastião democrata, Nova York sustentou essa classificação ao longo das últimas três décadas, entre altos e baixos, e agora, com Mamdani, o termo tem sido reforçado. Logo no início da gestão, por exemplo, ele instruiu as forças de segurança locais a não colaborarem com o ICE no compartilhamento de informações sobre imigrantes.

“Não deixaremos que políticos de cidades-santuário fiquem em nosso caminho”, disse o secretário Mullin. “Se você é um político estadual ou local, sua melhor opção é cooperar conosco, para que todos possamos tornar a América segura novamente.”

O momento do anúncio também tem significado. Ao lado de Mullin, o diretor do ICE em Nova York, Ken Genalo, disse que “a proximidade dos atentados de 11 de Setembro nos lembra de uma lição”. “Segurança pública depende de cooperação federal, estadual e municipal.”

Na próxima semana, os atentados terroristas em Nova York completam 25 anos. Eles são usados até hoje por políticos republicanos para construir a oratória sobre a importância de manter a ordem pública —neste meio, manter a política de detenção de imigrantes em situação irregular.

Em seu mandato, Mamdani propôs uma redução de US$ 22 milhões no orçamento de US$ 6,4 bilhões da polícia e cancelou um plano da gestão anterior de contratar 5.000 policiais.

Há, também, uma disputa de narrativa.

Concomitantemente ao discurso do secretário Mullin, a governadora de Nova York, a também democrata Kathy Hochul, discursou e afirmou que o governo de Trump cortou o financiamento contra o terrorismo do estado em US$ 87 milhões. O dinheiro vem da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências e apoia esforços locais para operações de inteligência.

“O estado de Nova York continua a ser o alvo terrorista número um do país, e se o presidente Trump e o secretário Mullin realmente se preocupam com a segurança pública, eles devem parar de jogar e financiar totalmente nossos esforços vitais de contraterrorismo.”

Mamdani participou ao lado de Hochul. “Eles [o governo Trump] estão aterrorizando imigrantes em nossa cidade, destruindo a possibilidade de que os nova-iorquinos vivam e trabalhem aqui, porque estão até com medo de deixar suas casas.”

O prefeito disse que seria importante expandir o TPS, um status de proteção temporária que era conferido a imigrantes de países que enfrentam graves crises, como os da Venezuela e do Haiti. Trump derrubou o benefício para 13 países, deixando os imigrantes em um limbo legal e às portas da deportação.

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