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Human Rights Watch denuncia cumplicidade de espionagem britânica com torturas

Arquivo Geral

24/11/2009 0h00

Os serviços de espionagem britânicos estavam cientes das torturas aplicadas a suspeitos de terrorismo em países como o Paquistão, denunciou hoje a organização Human Rights Watch (HRW).

Um estudo de cinco anos elaborado pela organização e apresentado em Londres chega à conclusão de que houve “cumplicidade” do Reino Unido em vários casos de maus tratos a detidos.

Quatro dos suspeitos foram entrevistados por funcionários britânicos enquanto estavam presos no Paquistão e apresentavam “sinais claros e visíveis” de torturas, como o fato de que tiveram as unhas arrancadas.

Uma fonte dos serviços de inteligência paquistaneses disse à ONG que os agentes britânicos e americanos envolvidos em um dos casos denunciados não só estavam “perfeitamente cientes de que todos os métodos possíveis para obter informação estavam sendo utilizados”, mas estavam, além disso, “agradecidos” por esses serviços.

O Governo britânico negou que agentes britânicos “participassem indiretamente, solicitassem ou fossem cúmplices” desse tipo de abusos ou que tivesse tentado encobri-los, mas se negou sistematicamente a fazer uma investigação.

Dois influentes comitês da Câmara dos Comuns se pronunciaram, no entanto, a favor de uma investigação sobre a possível conivência do Governo britânico nas práticas de torturas.

A imprensa britânica denunciou em mais de uma ocasião a suposta participação indireta das agências de inteligência do país no interrogatório de suspeitos de terrorismo.

A Scotland Yard investiga atualmente a possível cumplicidade do serviço britânico de espionagem exterior M16 no interrogatório de Binyam Mohammed, um residente do Reino Unido que afirma ter sido torturado no Paquistão, Marrocos e Afeganistão, assim como de um segundo caso relacionado a um indivíduo que não é cidadão britânico.

O HRW pediu hoje “uma investigação independente e completa, com citação judicial” das acusações de cumplicidade e pediu a publicação do manual destinado aos serviços de inteligência, como foi prometido pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

“Os serviços de inteligência e a Polícia do Reino Unido foram cúmplices e fizeram vista grossa enquanto suspeitos de terrorismo eram torturados no Paquistão”, denunciou hoje Ali Dayan Hassan, investigador da HRW.

Os funcionários britânicos “sabiam que os serviços de inteligência paquistaneses utilizavam a tortura de maneira rotineira, tiveram conhecimento direto de casos específicos, mas decidiram não intervir”, acrescentou Hassan.

Segundo o especialista, “uma lição-chave dos esforços dos últimos oito anos destinados a combater o terrorismo é que o recurso à tortura e a outros maus tratos é contraproducente, já que mina a legitimidade moral dos Governos” que dependem dessas práticas e facilita os trabalhos de recrutamento das organizações terroristas.

O jornal “The Independent” publica hoje uma fotografia que, segundo a denuncia, mostra “civis iraquianos capturados no sul do Iraque maltratados por soldados britânicos”.

A imagem mostra um soldado britânico vigiando quatro civis de bruços, com as mãos amarradas nas costas e com os olhos vendados, “o que viola um artigo da 3ª Convenção de Genebra”, que proíbe o tratamento “humilhante e degradante” dos detidos.

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