A HRW destacou em comunicado que o julgamento, o primeiro contra acusados das revoltas violentas de 14 de março em Lhasa, aconteceu a portas fechadas, sem ter sido informado em dias anteriores os procedimentos prévios às sentenças ditadas ontem.
Nelas, 30 pessoas, incluindo vários monges budistas, foram condenadas a penas que variaram entre três anos e a prisão perpétua pelos distúrbios, nos quais, segundo Pequim, os manifestantes mataram 19 pessoas, entre elas 18 civis.
O exílio tibetano assegura, por outro lado, que a repressão das forças de segurança contra esses protestos e os de outras zonas do Tibete e províncias limítrofes causou mais de 200 mortes.
“Culpados ou inocentes, esses tibetanos e qualquer outro acusado na China têm o direito a um julgamento justo”, destacou a diretora para a Ásia da HRW, Sophie Richardson.
“Em vez disso, foram julgados usando provas secretas, a portas fechadas e sem o direito a uma defesa correta, por advogados que eles tivessem podido escolher”, acrescentou.
A HRW fez sérias acusações contra a Justiça chinesa, como a ausência de distinção entre os manifestantes pacíficos e os violentos, a presunção de culpabilidade e o secretismo.
A ONG, com sede em Nova York, também reiterou que alguns advogados que se ofereceram para defender os tibetanos envolvidos foram ameaçados com penas e suspensões.
“Isso não é Justiça transparente, é um castigo político disfarçado de processo legal”, disse Richardson.
O Governo chinês respondeu ontem às críticas da HRW em torno das pressões a advogados no país asiático, assinalando que a organização tem “preconceito” contra a China, e assegurou que os defensores da lei desfrutam de liberdade para trabalhar no país.