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Mundo

Hong Kong decreta alerta máximo por supertufão Ragasa

Ventos fortes, chuvas torrenciais e evacuações afetam milhões; transporte, aulas e comércio são suspensos

Redação Jornal de Brasília

23/09/2025 18h13

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Os serviços meteorológicos de Hong Kong decretaram alerta máximo, nesta quarta-feira (24, data local), pela chegada do tufão Ragasa ao litoral sul da China, com ventos fortes e chuvas torrenciais.

O sul da China parou na terça-feira diante da chegada do supertufão, que já deixou pelo menos dois mortos, derrubou árvores e arrancou telhados ao atingir o norte das Filipinas, onde milhares de pessoas buscaram refúgio em escolas e centros de evacuação.

“Foi emitido o sinal de furação número 10 às 2h40 [15h40 de terça-feira em Brasília]. Isto significa que são esperados ventos com velocidade média de 118 km/h ou mais”, declarou o Observatório de Hong Kong, detalhando que esse nível “permanecerá em vigor durante certo tempo”.

Por causa do tufão, o transporte da cidade semiautônoma chinesa tinha sido suspenso nesta terça-feira e os comércios fecharam.

Um jornalista da AFP presenciou ondas de quase cinco metros de altura quebrando no passeio marítimo do bairro residencial de Heng Fa Chuen, em Hong Kong, ao cair da noite.

Terence Choi, morador da região, disse que tinha armazenado comida para dois dias em casa e acrescentou que estava “bastante nervoso” diante da possibilidade de ficar sem energia elétrica ou abastecimento de água potável.

As autoridades pediram aos moradores das áreas baixas que ficassem atentos às inundações e abriram 46 abrigos temporários.

Também foram instaladas barricadas e passarelas elevadas.

“Ragasa representará uma grave ameaça para Hong Kong e pode alcançar os níveis de Hato em 2017 e Magkhut em 2018”, disse, na segunda-feira, o segundo funcionário no comando da cidade, Eric Chan, em referência a dois supertufões que causaram centenas de milhões de dólares em danos materiais.

Yang Lee-o, uma septuagenária que reside há 40 anos em Lei Yue Mun, no leste da ilha de Hong Kong, contou à AFP que, durante um supertufão anterior, a água chegou na altura de seus joelhos.

– Aulas e transporte suspensos –

Ao norte de Hong Kong, na cidade chinesa de Shenzhen, foi ordenada a evacuação de 400 mil pessoas.

As autoridades locais anunciaram a suspensão do dia de trabalho, das aulas e do transporte, assim como em outras dez grandes cidades do sul da China, onde vivem dezenas de milhões de pessoas.

Em Hong Kong, o dia letivo foi cancelado por dois dias a partir da terça-feira e o Hong Kong Jockey Club adiou as tradicionais corridas de cavalo das quartas-feiras.

O aeroporto deste centro financeiro permanecerá aberto, mas enfrentando “perturbações significativas” a partir das 18h locais de terça-feira (07h em Brasília), segundo a autoridade aeroportuária.

Está previsto o cancelamento de mais de 500 voos da companhia aérea de Hong Kong Cathay Pacific.

– Prateleiras vazias –

Os cerca de 7,5 milhões de moradores de Hong Kong se apressaram para estocar provisões antes da chegada de Ragasa, esvaziando as prateleiras dos supermercados.

“É inevitável se preocupar”, comentou Zhu Yifan, um estudante chinês de 22 anos.

Zoe Chan, com cerca de 50 anos, empilhou sacos de areia em frente à sua loja de roupas no distrito de Wanchai.

“O mais importante é tomar melhores precauções para poder ficar mais tranquila”, declarou à AFP, dizendo temer que seu negócio seja “arruinado” pela água.

A Bolsa de Valores de Hong Kong mudou este ano as regras para permanecer aberta durante os tufões, embora a entidade tenha dito à Bloomberg News que estava “monitorando de perto” a situação.

Ragasa estará em seu ponto mais próximo de Hong Kong e da cidade vizinha de Macau na manhã de quarta-feira, segundo o serviço meteorológico chinês.

A autoridade ferroviária da região chinesa de Guangzhou anunciou a suspensão de todos os serviços de trem na quarta-feira.

Os cientistas alertam que as tempestades tornaram-se mais intensas à medida que o planeta esquenta devido aos efeitos das mudanças climáticas causadas pelos humanos.

© Agence France-Presse

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