O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) afirmou que, de hoje e até sábado, só será permitida a divulgação dos programas de Governo dos partidos políticos e candidatos participantes das eleições gerais de domingo.
Os candidatos fecharam suas campanhas entre o fim de semana passado e ontem em todo o país.
A partir de hoje, “fica proibido qualquer tipo de propaganda”, disse o magistrado do TSE Enrique Ortez Sequeira, acrescentando que, após este período de reflexão “só resta que o eleitor vá (…) exercer livremente o voto”.
Com a abertura desse período, disse, “a intenção é que não haja uma indução sobre o cidadão, mas o cidadão comece a fazer sua própria reflexão para que, no dia 29, apenas com sua consciência, escolha as autoridades que o regerão pelos próximos quatro anos”.
Também com a intenção de permitir um espaço de “reflexão” aos eleitores, o presidente de fato, Roberto Micheletti, anunciou que a partir de amanhã e até 2 de dezembro se afastará de suas funções públicas, mas não deixará o cargo.
O atual ministro de Governo (Interior), Oscar Matute, disse à imprensa que o Gabinete continuará trabalhando normalmente “às ordens do presidente”, cuja retirada dará “uma evidente transparência ao processo eleitoral”.
Zelaya, que permanece desde 21 de setembro na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa sitiado pela Polícia e pelo Exército, disse que essa retirada temporária de Micheletti é uma manobra para “enganar bobos” e que “ele confessa claramente, com sua posição, que é uma mancha para a democracia”.
Ortez Sequeira destacou que “os candidatos respeitaram a lei eleitoral e houve uma campanha bastante propositiva, de muito pouco confronto”.
Destacou também que o TSE não impôs “nenhum tipo de sanção” aos participantes do pleito por violar a norma eleitoral, e disse que serão instaladas cerca de 15,265 mil urnas em todo o país e que a distribuição do material eleitoral, que começou no fim de semana, continua com normalidade.
Outro magistrado do TSE, David Matamoros, afirmou que, dos 18 departamentos hondurenhos, só falta distribuir o material eleitoral “em três ou quatro”.
Um funcionário da máxima autoridade eleitoral disse hoje à Agência Efe que espera-se que pelo menos 2 milhões de pessoas votem no domingo, o que “garante o êxito do processo”, e que “seria ruim que os eleitores quase não conseguissem superar 1 milhão”.
Segundo a fonte, espera-se que votem entre 2 milhões e 2,4 milhões de pessoas, o que representaria de 57% a 68% do censo eleitoral final.
Acrescentou que o censo eleitoral é de cerca de 4,6 milhões, dos quais cerca de “1 milhão de hondurenhos vivem no exterior, e esses não votam”, por isso, na prática, fica em aproximadamente 3,5 milhões de pessoas, dos quais espera-se que votem mais de 50%.
A comunidade internacional advertiu que, se Zelaya não for restituído, não reconhecerá estas eleições, mas alguns países, como os Estados Unidos, apoiam o processo eleitoral.
O vice-presidente e chanceler do Panamá, Juan Carlos Varela, que chegou ontem à noite a Honduras, reiterou hoje o apoio de seu país às eleições e anunciou o envio de uma missão de observadores.
“Estamos otimistas que as eleições de domingo vão em bom caminho”, disse Varela aos jornalistas, depois de se reunir com os magistrados do TSE.
O magistrado suplente do órgão eleitoral, Denis Gómez, disse que os observadores internacionais que irão às eleições chegam a 300, aos quais se juntarão cerca de 6 mil cidadãos hondurenhos.
O candidato presidencial do opositor Partido Nacional de Honduras, Porfirio Lobo, e o do governante Partido Liberal de Honduras, Elvin Santos, são os que têm as maiores chances de chegar à Presidência de Honduras, enquanto os outros três são dos partidos minoritários.