A capital Tegucigalpa voltou a ser palco de protestos a favor e contra o líder deposto Manuel Zelaya, sales enquanto a comissão do novo Governo viajou à Costa Rica em busca de retomar o diálogo sobre a crise no país.
Milhares de simpatizantes do Governo Roberto Micheletti foram às ruas em uma passeata convocada pela organização União Cívica Democrática (UCD), viagra sale opositora a Zelaya.
Segundo os organizadores do protesto, a mobilização foi convocada “em apoio à democracia” e para expressar rejeição ao retorno de Zelaya e à “ingerência” do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
O prefeito de Tegucigalpa, Ricardo Álvarez, disse na manifestação que Zelaya não pode voltar ao país e querer retornar ao poder, porque “violou as leis”.
Os setores que apoiam Zelaya, dentro e fora do país, “querem alterar” a paz e a tranquilidade dos hondurenhos, mas “não conseguirão”, afirmou Álvarez, presidente do também opositor Partido Nacional.
Armida de López, mulher do novo chanceler de Honduras, Carlos López, disse que o protesto de hoje foi “para apoiar o presidente Roberto Micheletti, a paz, a democracia, a convivência e a harmonia entre o povo hondurenho”.
A esposa do chanceler lamentou que a comunidade internacional “tenha se deixado enganar” pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.
Segundo ela, Insulza veio ao país, “mas não quis ouvir nada” do novo Governo sobre a destituição de Zelaya.
Os manifestantes, vestidos com camisas brancas e azuis, as cores da bandeira hondurenha, percorreram uma avenida no leste de Tegucigalpa e se concentraram no centro da capital.
“Queremos te ver longe”, se lia em vários cartazes levados por participantes, em alusão a Zelaya.
Em uma parte da mobilização, estudantes tentaram interferir, mas foram dispersados pelos detratores de Zelaya e pela Polícia.
Ao mesmo tempo, seguidores do líder deposto se concentraram em vários pontos de Tegucigalpa, ao completar 25 dias de protestos para exigir o retorno de Zelaya, tirado do poder e do país por militares em 28 de junho.
Além de uma passeata que terminou no centro de Tegucigalpa, cerca de 200 mulheres se concentraram diante da embaixada dos EUA para exigir “menos declarações e mais ação no campo internacional contra o golpe”, como disse à Agência Efe o dirigente Carlos Reyes.
Também foi organizada para hoje uma jornada artística e cultural na Universidade Nacional Autônoma em Tegucigalpa.
Os simpatizantes do governante deposto convocaram para amanhã uma greve de funcionários públicos e bloqueios de várias ruas.
“Esperamos uma grande quantidade de pessoas no protesto de amanhã, quando haverá muita atividade nas ruas para golpear a estrutura econômica desses setores que estão no poder”, assegurou Reyes.
Durante o dia, a segurança nas entradas de Tegucigalpa foi reforçada com operações policiais de revista de veículos e pedido de documentação dos viajantes.
Zelaya anunciou em Manágua que prepara seu retorno a Honduras, onde, segundo as autoridades, será detido devido a uma ordem judicial que pesa sobre ele.
No entanto, o novo ministro da Defesa de Honduras, Adolfo Sevilla, disse hoje que se Zelaya retornar ao país, “será tratado com toda dignidade”.
A comissão que representa Micheletti no diálogo com os delegados de Zelaya viajou hoje à Costa Rica em resposta a um chamado do presidente local e mediador da crise hondurenha, Oscar Arias.
O novo chanceler hondurenho, que preside essa comissão, disse que nesta quarta falou com o ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Bruno Stgano, que lhe indicou que Arias “espera se reunir ainda hoje com as duas comissões”.
López informou que hoje enviou a Arias um “documento de trabalho” inspirado “nas linhas principais propostas por um senador dos Estados Unidos”, que não identificou, e que segundo ele foi apoiado pelo mediador.