O novo Governo de Honduras colocou em vigor hoje um novo toque de recolher a partir das 12h (15h de Brasília) em suas fronteiras com a Nicarágua e El Salvador, nurse diante da eventual chegada do deposto presidente Manuel Zelaya.
O anúncio foi feito pelo Governo por rede nacional de rádio e televisão.
O toque de recolher a partir de 12h (local) vigorará somente nos departamentos de Olancho, El Paraíso, Choluteca e Valle. Os três primeiros fazem divisa com a Nicarágua, e o último, com El Salvador.
No resto do país, o toque de recolher foi mantido de 24h às 4h30 (3h às 7h30 de Brasília), acrescenta o órgão governamental.
Na Nicarágua, Zelaya reiterou hoje que entraria em território hondurenho através de qualquer das fronteiras que o país tem com a primeira nação, com El Salvador ou Guatemala.
O presidente deposto é acompanhado pelo chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, conforme foi informado hoje em Estelí, Nicarágua, quando Zelaya deixou a cidade em direção à fronteira com seu país.
O Exército e a Polícia exercem um rigoroso controle no setor fronteiriço com Nicaragua de Las Manos, até onde chegaram muitos seguidores de Zelaya, assim como em outros pontos da fronteira, segundo relatórios de meios de comunicação locais.
O diretor-geral da Polícia, Salomón Escoto, disse à Agência Efe que, “até o momento, não há incidentes na fronteira com a Nicarágua” e que “tudo é normal”.
No entanto, a Efe pôde constatar que cerca de cinco quilômetros de Las Manos alguns simpatizantes de Zelaya começaram a burlar o cordão de isolamento das autoridades e caminharam por atalhos em direção ao ponto fronteiriço.
“Nós queremos receber nosso presidente”, disse à Efe um dos seguidores do líder deposto.
Em entrevista coletiva, Escoto também disse que desde que Zelaya foi derrubado, em 28 de junho, houve 239 manifestações de setores a favor e contra o presidente, das quais participaram 204.500 pessoas.
Ele acrescentou que a missão da Polícia é evitar que participem dos protestos pessoas armadas e estrangeiras, e que se alguns provocarem “vandalismo e confronto”, então “se agirá com rigor”.
Escoto não quis falar sobre o que a Polícia faria se Zelaya entrasse no país acompanhado de pessoas estrangeiras, como o chefe da diplomacia da Venezuela.
“Temos um plano estratégico estabelecido que está sendo realizado”, explicou Escoto, que, além disso, ressaltou que se Zelaya fosse detido, “sua segurança física será respeitada”.
“Isso está dentro do plano estratégico, que inclui vigilância e segurança em todas as fronteiras”, disse.