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Homem é interrogado na Itália por suspeitas de pagar para atirar em civis no cerco de Sarajevo

Investigação apura atuação de supostos “turistas de guerra” que teriam financiado disparos contra moradores no cerco de Sarajevo; suspeito nega acusações

Redação Jornal de Brasília

09/02/2026 12h21

Foto: GEORGES GOBET / AFP

Foto: GEORGES GOBET / AFP

Um italiano de 80 anos, suspeito de pagar soldados bósnios para atirarem em civis durante o cerco de Sarajevo (1992-1996), foi interrogado nesta segunda-feira (9) em Milão, segundo relatos da imprensa.

Este ex-caminhoneiro da região de Friuli-Venezia Giulia, no nordeste da Itália, foi acusado pela Promotoria de Milão de “homicídio doloso contínuo e agravado, motivado por razões desprezíveis”, de acordo com a agência de notícias italiana Ansa.

“Meu cliente respondeu a todas as perguntas e reafirmou sua inocência”, declarou seu advogado, Giovanni Menegon, após o interrogatório.

A Promotoria abriu uma investigação em outubro sobre as supostas viagens desses “turistas de guerra”, também conhecidos como “francoatiradores de fim de semana”, entre os quais havia vários italianos.

Eles eram, em sua maioria, simpatizantes da extrema direita, entusiastas de armas e indivíduos com alto poder aquisitivo que teriam viajado para as colinas ao redor de Sarajevo durante a Guerra da Bósnia, pagando ao exército sérvio da Bósnia, que sitiava a cidade, para atirar em civis.

Segundo a imprensa italiana, o homem interrogado em Milão era um ávido caçador, possuía várias armas de fogo e nutria nostalgia pelo fascismo. Ele também teria se gabado publicamente de ter viajado à Bósnia para “caçar pessoas”.

“Segundo os depoimentos recolhidos, ele contava aos amigos no bar do bairro o que tinha feito durante a guerra nos Bálcãs”, explicou à AFP a jornalista independente Marianna Maiorino, que investigou o caso e também foi interrogada no âmbito da investigação italiana.

“Não estou preocupado, é apenas mais uma das muitas coisas, grandes ou pequenas, que marcaram a minha vida. Já vivi muitas”, disse o suspeito ao jornal Messaggero Veneto no domingo.

A investigação preliminar começou no final do ano passado após uma denúncia apresentada pelo jornalista e escritor italiano Ezio Gavanezzi, com base em dois depoimentos incluídos em um documentário.

Durante o cerco de Sarajevo (1992-1996), o mais longo da história da guerra moderna, mais de 11.500 pessoas morreram na cidade, incluindo centenas de crianças, segundo dados oficiais da Bósnia.

AFP

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