A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reiterou hoje que o Governo de Washington não mudou sua posição sobre os assentamentos israelenses nos territórios palestinos, que continuam sendo considerados ilegítimos.
“Nossa posição não mudou, e vou dizer outra vez: não aceitamos a legitimação dos assentamentos, achamos que, se forem terminadas as atuais e futuras atividades, será benéfico”, afirmou Hillary, no Cairo.
A chefe da diplomacia americana chegou ao Cairo para se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, em meio a uma onda de críticas geradas por recentes declarações dela feitas em Jerusalém.
Hillary disse em Jerusalém que os passos dados por Israel para não construir novos assentamentos e ampliar apenas os já existentes não tem precedentes, e defendeu retomar as negociações de paz na região sem condições prévias.
Os líderes palestinos, com apoio dos países árabes, afirmam que não voltarão à mesa de negociações com Israel, no diálogo interrompido no ano passado, enquanto Israel não parar com sua política de criar novos assentamentos nos territórios palestinos.
Hillary já havia esclarecido essas declarações de Jerusalém em reuniões com ministros árabes desde segunda-feira em Marrakech (Marrocos), mas hoje reiterou essas posições, em entrevista coletiva no palácio presidencial depois de se reunir com Mubarak.
“O que recebemos dos israelenses é a decisão de suspender a instalação de novos assentamentos e não conceder novas permissões ou aprovações, e isso não tem precedentes”, explicou a secretária.
“Não é o que preferíamos, mas acho que é algo que mostra um movimento positivo, assim como os palestinos fizeram progressos em temas de segurança”, afirmou Hillary, em termos parecidos às declarações feitas na segunda-feira em Marrakech.
As declarações de Hillary geraram protestos nas diplomacias árabes e, apesar dos esclarecimentos posteriores, a Liga Árabe convocou para 12 de novembro uma reunião de urgência no Cairo, a fim de dar uma resposta conjunta.
Em suas declarações, Hillary, que estava acompanhada do ministro de Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, insistiu na posição dos EUA de apoiar a criação de um Estado palestino com as fronteiras anteriores à guerra de 1967, “e isso inclui Jerusalém”.
“Queremos assegurar nosso objetivo de que haja um Estado (palestino) real, com real soberania, com as fronteiras que permitam aos palestinos fazer o que quiserem. Isso é vital para todos os povos da região, e especialmente para palestinos e israelenses”, acrescentou.
Aboul Gheit disse que, nas reuniões que manteve ontem à noite com Hillary e nos contatos de hoje, chegou à conclusão de que “os EUA não mudaram sua posição” sobre os assentamentos israelenses.
“Israel está colocando condições para beneficiar sua política de assentamentos. Embora sejam limitados, os EUA e a secretária de Estado acham que há progressos (nesse tema), mesmo que não tenha sido completada” a interrupção dessa política, acrescentou.
Em declarações a mais de 100 jornalistas que lotavam a sala de imprensa da Presidência, Hillary também defendeu a posição dos EUA de não apoiar o relatório Goldstone sobre crimes de guerra cometidos na ofensiva de dezembro do ano passado e janeiro contra Gaza.
“É importante não perder o enfoque a longo prazo nas aspirações do povo palestino. Nada nos impedirá em nosso objetivo de nos movimentar nesse sentido, e não podemos deixar que nada nos desvie”, insistiu Hillary.