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Hillary pressiona palestinos e israelenses a enfrentarem questões principais

Arquivo Geral

11/12/2010 11h35

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, pressionou nesta sexta-feira israelenses e palestinos para que comecem sem demora a “enfrentar as questões-chave” do conflito e a produzir progressos reais e concretos nos próximos meses.

 

“Chegou o momento de enfrentar os assuntos-chave deste conflito: fronteiras e segurança, assentamentos, água, refugiados e Jerusalém”, assinalou em discurso no jantar de gala do fórum anual do Centro Saban para estudos sobre o Oriente Médio do Instituto Brookings.

 

As declarações de Hillary foram dadas após os Estados Unidos renunciarem a exigir de Israel uma nova moratória na construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia.

 

“Lamento não termos chegado mais longe mais rapidamente”, assinalou a secretária, que disse compreender e compartilhar a “profunda frustração” das partes, da região e do mundo inteiro pela falta de progressos no processo de paz.

 

“Não é nenhum segredo que as partes têm um longo caminho por recorrer e que ainda não foram tomadas as decisões difíceis que são exigidas para alcançar a paz”, afirmou.

 

Nos últimos meses, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se reuniram em várias ocasiões e decidiram perseguir um acordo que estabeleça os compromissos fundamentais sobre todos os assuntos-chave para amaciar o caminho rumo à paz, lembrou Hillary.

 

Essa meta “não é fácil e as diferenças são reais e persistentes”, mas a maneira de chegar a este ponto é envolver-se com “boa fé em toda a complexidade dos assuntos-chave e trabalhar para superar as brechas”, considerou.

 

“Assim, as partes podem começar a reconstruir a confiança, demonstrar que se levam a sério e, tomara, encontrar suficiente terreno em comum para relançar eventualmente as negociações diretas e conseguir esse acordo”, avaliou Hillary.

 

A secretária indicou que nos próximos dias os EUA dialogarão com as duas partes separadamente, mas que as conversas serão “substanciais para o objetivo de chegar a progressos reais nos próximos meses sobre as questões-chave de um possível acordo”.

 

O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, chegará na segunda-feira à região para se reunir com Netanyahu e Abbas e com líderes de outros Estados árabes, explicou.

 

Nas conversas com as duas partes, os EUA “não serão um participante passivo”, ressaltou.

 

“Levaremos as partes a definirem suas posições sobre os temas essenciais sem demora e com especificações reais”, disse.

 

Os EUA trabalharão para superar os obstáculos e oferecerão propostas se for necessário, mas em troca esperam “respostas substanciais e concretas” de israelenses e palestinos.

 

Quanto às fronteiras e à segurança, Hillary disse que a “terra entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo é finita”, mas que as duas partes têm de saber exatamente que parte pertence a cada um.

 

“Eles têm que chegar a um acordo para uma só linha, que esteja desenhada em um mapa, divida Israel da Palestina e leve à solução de dois Estados com fronteiras palestinas permanentes com Israel, Jordânia e Egito”, assinalou.

 

A secretária pediu ainda uma solução “justa e permanente” sobre a questão dos refugiados.

 

No que se refere aos assentamentos, cuja cessação os palestinos colocam como condição para as negociações com os israelenses, Hillary reiterou que a postura dos EUA “não mudou nem mudará”.

 

“Não aceitamos a legitimidade” da construção contínua de assentamentos, disse. “Acreditamos que sua expansão é corrosiva”, ressaltou a secretária, que reconheceu que definir o status final de Jerusalém é “o tema mais sensível de todos, mas sem um acordo sobre este assunto certamente não haverá paz”.

 

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, que também participou do encontro, reiterou nesta sexta-feira que a criação de dois Estados é a solução para que israelenses e palestinos vivam em paz, algo que considerou “possível”.

 

“Dois Estados e dois povos: é a única possibilidade”, disse Barak em seu discurso no mesmo fórum.

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