A chefe da diplomacia desembarcou ontem à noite em Mumbai. Segundo as agências indianas “PTI” e “Ians”, as afirmações dela à imprensa foram feitas após um café da manhã com um grupo seleto de empresários indianos na capital financeira da Índia.
“Estamos entrando numa nova e ainda mais promissora era nas relações com a Índia. Estamos tentando ampliar e fortalecer nossa relação”, resumiu a secretária de Estado após o encontro, do qual participaram os magnatas indianos Ratan Tata e Mukesh Ambani.
Sobre a situação no sul da Ásia, Hillary reiterou que os EUA apoiam “todos os esforços contra o terrorismo” e negou que estejam pressionando Nova Délhi a retomar o diálogo formal com o Paquistão.
“Não vamos fazer pressão para que o diálogo seja reiniciado, já que os que devem decidir são os Governos soberanos”, disse a diplomata.
No entanto, ela fez questão de ressaltar que Washington constatou “um maior esforço e compromisso” do Paquistão na luta contra o terrorismo, requisito que a Índia exige para retomar os contatos com o país vizinho.
“Achamos que (os terroristas) devem ser erradicados e derrotados. Dizemos isto claramente e continuaremos a dizer”, enfatizou a secretária de Estado.
Hillary também ressaltou que os EUA “apoiam” o diálogo entre as duas potências nucleares, mas não estão “diretamente envolvidos” nele.
Um pouco antes, a secretária de Estado havia assistido a um ato em homenagem às vítimas dos atentados terroristas de novembro, em Mumbai. Num livro colocado à disposição dos convidados, ela escreveu uma mensagem.
“Agora depende de todas as nações e povos que buscam a paz e o progresso trabalhar juntos. Livremos o mundo do ódio e do extremismo que produz tal violência niilista. Nosso futuro merece mais”, escreveu a secretária de Estado, que está hospedada luxuoso hotel Taj, um dos que foi atacado no fim do ano passado.
A chefe da diplomacia americana também comentou o duplo atentado de ontem em Jacarta, que causou nove mortes. “É uma lembrança dolorosa que (o terrorismo) seja global, cruel, niilista. Por isso, precisa acabar”, disse à imprensa.
Quanto às relações bilaterais, Hillary se mostrou “otimista” quanto à possibilidade de fechar um acordo com a Índia na área de defesa que permitiria aos EUA supervisionar o uso de armas e outras tecnologias vendidas ao país.
Sobre a mudança climática, que atribuiu aos EUA e a “outros países desenvolvidos”, disse desejar que “um grande país como a Índia não cometa os mesmos erros”.
A diplomata também reservou tempo na agenda para compromissos com a sociedade civil.
Ao visitar uma ONG de mulheres autônomas que se dedicam ao setor têxtil, declarou: “Para mim, é totalmente inegável que o progresso das mulheres está diretamente ligado ao progresso de qualquer país”.
Ainda hoje, Hillary visita uma escola. Amanhã, ela embarca para Nova Délhi depois do meio-dia, segundo a agência “Ians”.
Segundo um comunicado do Departamento de Estado americano, na capital indiana, ela se reunirá com membros do Governo, empresários, cientistas e jovens.
Em nota divulgada dias atrás, o Ministério de Assuntos Exteriores da Índia disse que Hillary vai se reunir com o chefe da diplomacia indiana, S.M. Krishna, na segunda-feira. No encontro, os dois discutirão “assuntos regionais e globais de interesse comum”.
A secretária de Estado também se reunirá com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh; a presidente do governista Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e o líder da oposição, L.K. Advani. EFE