A senadora democrata e aspirante presidencial Hillary Clinton disse hoje estar “decepcionada” com a decisão do presidente dos Estados Unidos, unhealthy George W. Bush, de enviar ao Congresso o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia, e reiterou que votará contra o mesmo.
Cercado de vários membros de seu Gabinete, Bush assinou hoje de manhã a carta que envia ao Congresso a legislação para a implementação do TLC com a Colômbia, com o que se inicia o prazo de 90 dias para que o Legislativo o submeta a votação sem qualquer alteração.
A decisão de Bush gerou imediatamente reações a favor e contra por parte de vários líderes do Congresso, assim como de alguns dos aspirantes presidenciais.
“Disse de maneira consistente durante vários meses que me oponho a assinar qualquer tratado de comércio com a Colômbia enquanto a violência contra os sindicalistas continue, e enquanto os perpetradores não sejam levados à justiça”, disse a ex-primeira-dama em comunicado.
Os democratas se opõem ao TLC porque consideram que a Colômbia não fez o suficiente em favor dos sindicalistas e defensores dos direitos humanos.
De acordo com a senadora democrata por Nova York, os EUA devem impulsionar acordos comerciais “que promovam os direitos humanos e os direitos trabalhistas, e que não deixem passar por cima os atrozes abusos”.
“Eu votarei contra o acordo de livre-comércio com a Colômbia do presidente (Bush), e faço um apelo a meus colegas no Senado para que façam o mesmo”, ressaltou.
A senadora fez essas declarações um dia depois da renúncia de seu principal estrategista eleitoral, Mark Penn, após a polêmica gerada por seus contatos com o Governo da Colômbia sobre o TLC.
Seu adversário na disputa, o senador por Illinois Barack Obama, também se opõe ao TLC com a Colômbia, assinado há 16 meses, mas sua campanha ainda não publicou uma reação ao respeito.
Já o senador pelo Arizona e candidato presidencial republicano John McCain disse em comunicado que apóia “firmemente” o pacto comercial e pediu a seus correligionários que o ratifiquem com rapidez.
O candidato republicano considera que os argumentos econômicos a favor do TLC são “contundentes”, já que, entre outros benefícios, permitirão a exportação livre de tarifas de 80% dos produtos dos EUA à Colômbia.
Além disso, os argumentos estratégicos são ainda mais convincentes, pois, afirmou, o TLC ajudará a gerar empregos e alternativas econômicas à violência na Colômbia, e permitirá afiançar as conquistas desse país sob o mandato do presidente Álvaro Uribe.
Mas a hierarquia democrata no Congresso não compartilha desse otimismo.
Em comunicado conjunto, a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e o presidente do poderoso Comitê de Meios e Arbítrios, Charles Rangel, reiteraram sua oposição ao TLC e exigiram novamente a extensão de um programa federal que beneficie os americanos prejudicados pela concorrência exterior.
Também enfatizaram que a decisão “sem precedentes” de Bush de ignorar os protocolos estabelecidos, “é contraproducente e põe em risco as possibilidades de que se ratifique” o pacto.
O Executivo tem como meta que o Congresso vote o TLC até 26 de setembro, segundo a representante de Comércio Exterior, Susan Schwab.
Também hoje, o Governo da Colômbia confiou em que o presidente americano possa conseguir no Congresso os votos necessários para a aprovação do TLC assinado por ambos os países.
“É muito provável que os votos estejam ali ou que possam ser obtidos”, disse o ministro de Comércio, Indústria e Turismo colombiano, Luis Guillermo Plata.
O próprio Uribe pediu hoje ao Congresso americano que olhe “os problemas presentes e sua evolução favorável”.
“Quero fazer chegar esta mensagem ao Congresso dos Estados Unidos: peço para que olhe os problemas presentes e a evolução favorável que vem ocorrendo na Colômbia”, disse Uribe em rápida declaração em Segóvia (noroeste), na qual liderou um conselho de segurança.