O grupo político-militar libanês Hezbollah retomou, nesta quinta-feira (9), ações militares contra Israel após a violação do cessar-fogo mediado entre o Irã e os Estados Unidos. O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, lançou uma ofensiva contra o Líbano um dia após a trégua, resultando em pelo menos 250 mortes.
Em comunicado, o Hezbollah afirmou que, em defesa do Líbano e de seu povo, e em resposta à quebra do acordo pelo inimigo, seus combatentes atacaram o assentamento de Manara com uma saraivada de foguetes às 2h30 da manhã. O grupo anunciou ainda uma série de ataques contra outros assentamentos no norte de Israel, como Avivim, Shomera e Shlomi. O Hezbollah declarou que as ações continuarão até que a agressão israelense-americana contra o país e seu povo cesse.
Israel, por sua vez, rejeita incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA e afirma que prosseguirá com operações para eliminar ameaças ao Estado. A Força de Defesa de Israel (FDI) informou ter eliminado oito membros do Hezbollah em uma batalha, incluindo Maher Qassem Hamdan, comandante na região de Chebaa, no sul do Líbano. Além disso, as tropas da 162ª Divisão continuam operações terrestres direcionadas no sul libanês. Tel Aviv também relatou a morte de Ali Yusuf Harshi, secretário de Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, em Beirute na noite anterior.
O cessar-fogo está em risco. O Irã ameaçou romper o acordo devido aos bombardeios no Líbano, argumentando que o pacto previa a trégua em todas as frentes de batalha no Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou que o Líbano não estava incluído, mas o mediador, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, confirmou que o fim dos combates no Líbano fazia parte das negociações. Países como França, Reino Unido, Espanha e representantes da União Europeia pressionam para que o Líbano seja incorporado ao acordo.
O presidente do Líbano, Masoud Pezershkian, declarou que a manutenção das agressões torna as negociações para o fim da guerra sem sentido. Representantes do Irã e dos EUA têm uma reunião marcada para esta sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão, para discutir pontos de um possível acordo que fortaleça o frágil cessar-fogo de duas semanas.
O contexto dos bombardeios israelenses contra o Líbano intensificou-se com o início da guerra no Irã, após o Hezbollah retomar ataques contra Israel em 2 de março, em retaliação a ofensivas anteriores e ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação israelense no Líbano. Em 2000, o grupo conseguiu expulsar as forças israelenses do país e, ao longo dos anos, tornou-se um partido político com representação no Parlamento e participação nos governos.
A atual fase do conflito relaciona-se à destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023, com o Hezbollah lançando foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a defesa israelense. Em novembro de 2024, um acordo de cessar-fogo foi costurado entre o grupo e o governo Netanyahu, após Israel eliminar lideranças do Hezbollah. No entanto, Israel seguiu com ataques periódicos contra o Líbano, alegando atingir infraestrutura do grupo, que evitou reagir até o início da guerra no Irã. O Líbano também foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.