O líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Naim Qassem, exigiu, nesta segunda-feira (13), o cancelamento da reunião agendada para amanhã em Washington entre o Líbano e Israel, alegando que essas negociações representam uma “capitulação”.
“Rejeitamos as negociações com a entidade israelense […] Esta negociação é uma submissão e uma capitulação”, declarou em um discurso o líder do grupo islamista, que está em guerra com Israel e é apoiado pelo Irã, pedindo o cancelamento do encontro.
Os embaixadores do Líbano e de Israel nos Estados Unidos têm uma reunião marcada nesta terça-feira, sob os auspícios do governo americano, para discutir um cessar-fogo.
As autoridades libanesas assinalaram que Beirute quer primeiro um cessar-fogo na guerra entre Israel e Hezbollah, mas os israelenses descartam essa opção e afirmam que preferem se concentrar em um processo formal de diálogo de paz com o próprio Líbano, com quem esteve tecnicamente em guerra por décadas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste sábado que deseja “desmantelar as armas do Hezbollah e um acordo de paz verdadeiro que dure gerações”.
Qassem, por sua vez, disse que as “negociações são inúteis e exigem um acordo e o consenso por parte do Líbano”.
Centenas de simpatizantes do Hezbollah protestaram na sexta-feira e no sábado contra as negociações em Washington, e acusaram o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, de “sionista”.
O Líbano contabiliza 2.055 mortos no total desde o início dos enfrentamentos em 2 de março, entre eles 165 crianças e pelo menos 87 trabalhadores da saúde. Também estima em pelo menos um milhão o número de deslocados desde que o país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio.
“Não vamos nos render, vamos permanecer em campo até o nosso último suspiro”, disse Qassem, enquanto o Hezbollah enfrenta tropas israelenses que avançam para criar uma “zona de segurança” no sul do Líbano.
Nesta segunda-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz instou Netanyahu a pôr fim aos combates no sul do Líbano, segundo um porta-voz.
Merz também expressou sua “profunda preocupação” com a situação nos territórios palestinos durante uma conversa telefônica com o premiê israelense e exigiu que “não haja anexação parcial de fato da Cisjordânia”, afirmou o porta-voz do governo alemão.
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