As ruas de Havana amanheceram calmas hoje, diagnosis como se fosse qualquer outra terça-feira, no dia em que o líder cubano Fidel Castro anunciou que não continuará como chefe de Estado e comandante-em-chefe da revolução.
Poucos já sabiam no começo da manhã de hoje que os jornais oficiais cubanos publicavam em suas primeiras páginas a mensagem com o anúncio da renúncia do líder da revolução de 1959, após quase meio século no poder.
“Quem disse?”, perguntou surpreso Armando, guardador de carros do bairro de El Vedado, em Havana.
Com lágrimas nos olhos, Armando, de 69 anos, assentiu com a cabeça e disse: “ele está muito mal, é normal”.
Para Alberto, de 32 anos, profissional do setor de serviços, Fidel Castro, de 81 anos, “deve ter tido uma recaída”.
“Está assim há muito tempo”, acrescentou, em referência à recuperação de 19 meses do líder cubano devido a uma grave doença intestinal que o acometeu em julho de 2006.
Na época, o octogenário chefe revolucionário anunciou a delegação provisória de seus cargos a seu irmão Raúl, de 76 anos.
“Não se engane. Embora ele diga que não é presidente, continuará olhando os papéis e dizendo isto sim, isto não. Fidel vai continuar mandando”, acrescentou Alberto.
“Acho que fizeram isso para que deixem de dizer que Raúl é o primeiro vice-presidente, o segundo secretário (do Partido Comunista), o ministro, e já o chamem de presidente”, opinou Gustavo, segurança, de 28 anos.
O jovem acredita que, independentemente de Raúl Castro assumir a Presidência, o que não duvida que ocorrerá, em Cuba não haverá mudanças a curto ou médio prazo.
“Aqui as coisas devem ser feitas a seu tempo. Não é porque Fidel deixará de ser presidente que as coisas mudarão da noite para o dia”, sentenciou.
Um motorista que evitou se identificar afirmou que a renúncia de Fidel Castro é “algo lógico”, já que não era possível estender por mais tempo a situação pela qual passa Cuba com um presidente interino há 19 meses.
“Era evidente que ele renunciaria”, afirmou, antes de acrescentar que a mudança será “para melhor”.
Sem alterar sua programação e sem dar grande destaque à notícia, os veículos cubanos de rádio e televisão – todos estatais – se limitaram a reproduzir sem comentários a mensagem do chefe da revolução, publicado nos jornais oficiais “Granma” e “Juventud Rebelde”.
Fidel Castro anunciou que não pretende nem aceitará “o cargo de presidente do Conselho de Estado e comandante-em-chefe”, o que representa sua renúncia definitiva, após 50 anos no poder.