“A convocação é um golpe destrutivo para os esforços de reconciliação interpalestina e uma rendição da Autoridade Nacional Palestina (ANP) à pressão israelense e americana”, comentou o Hamas em comunicado.
Um dos líderes do Hamas em Gaza, Ismail Radwán, disse que a convocação “responde a instruções dos EUA e serve ao inimigo sionista”.
“A declaração afunda a divisão interpalestina. Não fica dúvida que mina todos os esforços efetuados pelo Egito para acabar com a divisão”, acrescentou.
O texto publicado pela agência oficial palestina “Wafa” especifica que o pleito, livre e direto, será realizado em Jerusalém, Cisjordânia e na Faixa de Gaza, de acordo com a lei Básica (Constituição palestina, emendada em 2003) e Eleitoral, de 2007.
Não está claro, no entanto, como a ANP vai organizar o pleito em Gaza, um território sob o domínio do Hamas, grupo que rejeita a convocação.
De acordo com a Lei Básica palestina a eleição deveria ocorrer em 25 de janeiro, enquanto que o mandato de Abbas teria de ter encerrado no início deste ano.
Saeb Erekat, chefe negociador palestino, explicou que o Comitê Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), da qual Hamas não pertence, vai debater o decreto nas reuniões de sábado e domingo em Ramala.
O Hamas ganhou as últimas eleições palestinas, em 2006, e Abbas conquistou maioria nas presidenciais de um ano antes, às que não se apresentaram os islamitas.
Na semana passada, o Fatah assinou uma proposta egípcia, enquanto que o Hamas a aceitou com reservas e solicitou mais tempo para estudar o documento, com o argumento que os mediadores egípcios tinham acrescentado ao acordo cláusulas não estipuladas pelas partes.
As relações de Fatah e Hamas estão estremecidas desde junho de 2007, quando os islamitas assumiram o controle da Faixa de Gaza ao expulsar às forças de segurança leais ao presidente.