“Abbas fracassou miseravelmente, seu discurso é um truque, uma manobra”, disse à Agência Efe Ismail Radwan, um dos dirigentes do Hamas, pouco depois de o presidente palestino anunciar publicamente que não se candidatará à reeleição em 24 de janeiro.
“Tudo isso é uma manobra para pressionar a comunidade internacional e os países árabes, e para pressionar o Hamas a aceitar seus termos para a reconciliação”, completou Radwan ao atribuir a Abbas segundas intenções em seu dramático discurso.
Para ele, o anúncio é uma “tática” do presidente da ANP com a intenção de “aceitar (eventualmente) as condições de Israel para o reatamento do processo de paz”, sem que o Estado judeu cumpra a condição de frear a expansão da colonização na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental antes de negociar.
Outros líderes islamitas também interpretaram o discurso de Abbas como uma tentativa de pressionar Israel e EUA.
Tudo isso à espera de que Washington pressione o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o obrigue a suspender as construções em território ocupado.
“A pressão está dirigida sobretudo a amigos nos EUA e aos sionistas”, explicou Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas.