“O bloqueio sionista total em Gaza será derrotado por um forte levante popular, mas ninguém sabe que tipo de levante será, nem quando nem onde”, afirmou em comunicado o porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Ayman Taha.
Segundo Taha, “o levante não será decidido pelo Hamas, mas será espontâneo, popular e contra a ocupação israelense. A explosão não será só em Gaza, mas também na Cisjordânia e em países árabes”.
Gaza vive há dez meses sob um ferrenho bloqueio de Israel, que mantém fechadas as fronteiras, quase não permite a entrada de cinco grupos de alimentos básicos e reduziu suas vendas de combustível ao território.
O cerco se estreitou ainda mais esta semana com a decisão de Israel de fechar a passagem fronteiriça de Nahal Oz – por onde Gaza recebe combustível – depois que, na quarta-feira passada, milicianos palestinos mataram dois civis israelenses no terminal.
O diretor da única central elétrica de Gaza, Rafik Maliha, advertiu ontem que a unidade só tem combustível para “dois ou três dias”.
Apesar do difícil situação de Gaza, Taha desmentiu que o Hamas planeje novamente abrir trechos da cerca divisória com o Egito, como fez em janeiro passado, para que seus habitantes comprem no país vizinho bens que estão em falta devido ao bloqueio.
“Ninguém está ameaçando o Egito e ninguém tem permissão de fazer isso”, disse o porta-voz.
Taha refutava assim a ameaça feita há cinco dias por um líder de seu próprio movimento, Khalil al-Hayeh, que disse que a possibilidade de derrubar mais uma vez a fronteira entre Gaza e o Egito “está sobre a mesa”, se o cerco israelense continuar.
Cairo reagiu então com um comunicado para advertir que suas fronteiras internacionais “são uma linha vermelha que não pode ser violada”, e que “está preparado para responder a qualquer tentativa” semelhante.