O movimento islâmico palestino Hamas deu as boas-vindas hoje à decisão do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, que aprovou um relatório que condena tanto o grupo quanto Israel de cometer crimes de guerra na ofensiva iniciada em dezembro do ano passado contra a Faixa de Gaza.
O Conselho de Direitos Humanos referendou hoje o relatório Goldstone com o voto a favor de 25 dos 47 membros do órgão, enquanto seis o rejeitaram, 11 se abstiveram e 5 não votaram.
Só os países islâmicos, africanos e não-alinhados deram um “sim” unânime ao texto, que contou também com o apoio de alguns países latino-americanos, enquanto os europeus votaram divididos.
Taher al-Nunu, porta-voz do Hamas em Gaza, disse aos jornalistas que o grupo agradece aos países que votaram a favor da aprovação do relatório.
“Damos as boas-vindas à arrasadora votação do relatório, que deve ser levado imediatamente ao tribunal internacional para crimes de guerra, a fim de que sejam processados os líderes da ocupação israelense por seus horrendos crimes”, disse Nunu.
O dirigente do Hamas Mahmoud Zahar disse à “Al-Aqsa TV” – vinculada ao grupo islâmico palestino – que “aqueles que tentaram justificar o atraso na votação (em referência ao presidente palestino, Mahmoud Abbas) há três semanas estavam completamente errados”.
Zahar acrescentou que o Hamas rejeitou o relatório quando veio a seu conhecimento, e disse que “foi preparado por um judeu pró-israelense (o renomado jurista Richard Goldstone) e que era desequilibrado, porque igualava as vítimas com aos carrascos”.
Mas, após a decisão de hoje, acredita que “oferece ao Hamas e à outra parte (Israel) a oportunidade de apresentar evidências e provas”.
“Pedimos a criação de um comitê independente que prepare a defesa de nossa posição”, disse.
Pelo fato de o Hamas acreditar que foi uma tentativa deliberada da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de atrasar o debate na ONU, o Hamas solicitou ao Egito, que faz a mediação entre as facções palestinas, que adiasse o diálogo de reconciliação nacional que seria assinada com um pacto em 25 deste mês, no Cairo.
“Agora o relatório foi apoiado por 25 países, portanto, o argumento para atrasar a reconciliação não está mais de pé. Chamamos o Hamas para que firme imediatamente”, disse Abdallah Abdallah, deputado na Cisjordânia da facção rival Fatah, liderada por Abbas.