“O estabelecimento de um Estado palestino nas fronteiras dos territórios ocupados em junho de 1967 é um objetivo nacional conjunto e o Hamas não será um obstáculo nesse caminho”, afirmou Haniyeh, que ainda afirmou que seu movimento “estava buscando alcançar isso”.
No entanto, o dirigente do movimento islâmico, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, disse, em suas declarações a um meio de comunicação local, que essa aceitação não significa que o Hamas vá reconhecer Israel, como exige a comunidade internacional.
O dirigente islâmico esclareceu que Israel deverá aceitar uma trégua a longo prazo em troca da aceitação do Hamas de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967.
A carta de fundação do Hamas defende a destruição de Israel e o movimento islâmico costuma criticar a facção Fatah, liderada pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas, por ter se envolvido no processo de paz com o Estado judeu.
Haniyeh disse que seu movimento “não pode se integrar com o Fatah”, devido às diferenças nas plataformas políticas de ambos os movimentos.
“Tentamos coexistir com o Fatah, e não nos integrar com eles. Queremos estabelecer uma era de coexistência que sirva à era da libertação”, disse o dirigente do Hamas.
Em junho de 2007, o Hamas esteve em um confronto armado contra as forças leais ao Fatah, e expulsou vários militantes desse movimento nacionalista, em uma violenta revolta.
Após cerca de dois anos de dissensão, o Egito conseguiu impulsionar o diálogo entre as partes, em negociações que acontecem no Cairo encaminhadas à reconciliação e à formação de um Governo de unidade palestino.
Apesar de o Hamas e o Fatah terem decidido formar um Executivo de unidade transitório até a realização de pleito geral, em janeiro de 2010, ainda não estão em acordo sobre qual deve ser a plataforma política.
As declarações de Haniyeh coincidem com a recente entrada do novo Governo de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu, que se opõe por princípio a uma solução de dois Estados ao conflito palestino-israelense.