Um dos hackers que assumiram a autoria da invasão contra o site do semanário satírico francês “Charlie Hebdo” ameaçou neste domingo fazer o mesmo com o jornal “Libération” caso a empresa continue publicando caricaturas do Profeta Maomé.
“Defendemos nosso país e nossas instituições. Se o ‘Libération’ continuar publicando esses desenhos, nos ocuparemos deles também”, declarou ao diário “Le Journal du Dimanche” o jovem turco Ekber, integrante do grupo islâmico Akincilar, que na quinta-feira admitiu estar por trás do ataque contra o site do semanário.
A sede do “Charlie Hebdo” chegou a ser incendiada na madrugada da quarta-feira passada, mesmo dia em que publicou uma edição especial sobre a vitória dos muçulmanos nas eleições tunisianas. A sátira mostrava o profeta na capa como “redator-chefe”, ameaçando condenar a 100 chibatadas quem não “morresse de rir”.
O Governo francês, a imprensa e grande parte dos intelectuais do país se solidarizaram com o semanário após o ataque. O “Libération” acolheu em seu escritório a redação do semanário e dedicou a capa e contracapa da edição do dia seguinte ao incidente.
Ekber, conhecido como “Black Apple”, destacou no entanto que seu grupo não está por trás do atentado com coquetéis molotov que incendiou a sede da publicação, porque, segundo ele, “o islã é uma religião de paz” e seu grupo não utiliza esse tipo de violência como método de ação.
“Não acreditamos ter feito nada de ruim, não é como se tivéssemos assaltado contas bancárias. Foi um protesto contra um insulto a nossas crenças e valores”, acrescentou o jovem, em linha com a política de seu grupo, que luta “contra publicações que atacam a fé (islâmica) e os valores morais e que contêm pornografia e materiais satânicos”.