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Guiana elege presidente com o desafio de administrar a riqueza petrolífera

Com mais de 95% do território coberto por floresta e disputa pelo Essequibo, país sul-americano vota entre atual presidente, opositor e bilionário populista; resultado deve sair até quinta-feira

Redação Jornal de Brasília

01/09/2025 14h28

Foto: Luis Acosta/AFP

Foto: Luis Acosta/AFP

A Guiana vota, nesta segunda-feira (1º), para eleger seu novo presidente, que enfrentará o desafio de administrar a vasta riqueza petrolífera deste pequeno país sul-americano, dotado das maiores reservas de petróleo per capita do mundo, em meio a tensões com a vizinha Venezuela.

Os locais de votação ficarão abertos até as 18h00 (19h00 no horário de Brasília). Os resultados das eleições legislativas e presidenciais, para as quais 750.000 eleitores estão convocados, são esperados, no mínimo, para quinta-feira, informou a Comissão Eleitoral.

As eleições são logisticamente complexas, visto que mais de 95% deste país de 850.000 habitantes é coberto por floresta tropical.

Os três principais candidatos são o atual presidente Irfaan Ali (Partido Progressista do Povo, PPP/C, centro-esquerda), o opositor Aubrey Norton (APNU, Associação para a Nova Unidade, esquerda) e o populista Azruddin Mohamed, às vezes apelidado de “Trump guianense”, um bilionário que recentemente criou seu partido WIN (We Invest In the Nation/Nós Investimos na Nação) para romper com o sistema bipartidário.

Irfaan Ali, expressou seu apoio à mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe ao afirmar que apoiará “tudo o que eliminar qualquer ameaça” à segurança de seu país.

“As forças de segurança estão em alerta máximo. Estão prontas. Temos falado sobre isso durante toda a campanha: a Venezuela é uma ameaça”, afirmou em declarações à imprensa após votar em Leonora, a cerca de 35 km da capital Georgetown.

No domingo, o Exército e a polícia da Guiana denunciaram disparos que partiram da Venezuela contra uma embarcação que transportava material eleitoral em Essequibo, região disputada com a Venezuela há mais de um século. Não houve feridos, segundo as mesmas fontes.

A denúncia foi repudiada pela Venezuela. Seu ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, acusou a Guiana de tentar “criar uma frente de guerra”.

– Disputa pelo Essequibo –

O voto é tradicionalmente dividido por etnias, entre pessoas de origem indiana (PPP/C) e de origem afro-guianense (APNU). O candidato do WIN é uma surpresa.

Cada partido apresenta um candidato presidencial, seis no total. Os partidos também indicam candidatos ao Parlamento. O candidato cujo partido receber o maior número de votos no total é eleito presidente.

“Se não houver irregularidades, acredito que serei o próximo presidente”, disse o opositor Norton à AFP ao deixar a seção eleitoral.

“Acredito que teremos uma boa participação da nossa base. Trabalhamos muito para mobilizar as pessoas”, continuou o candidato, que durante a campanha prometeu “libertar a sociedade do PPP e da pobreza”.

Na escola Plaisance, nos arredores de Georgetown, o candidato da oposição Aubrey Norton foi o primeiro a votar, com cerca de 30 pessoas na fila.

O vencedor assumirá a riqueza petrolífera que permitiu à Guiana quadruplicar seu orçamento estatal em cinco anos (US$ 6,7 bilhões em 2025, equivalente a R$ 36,3 bilhões).

A Guiana, que iniciou a exploração de petróleo em 2019, espera aumentar sua produção de 650.000 barris por dia para mais de um milhão até 2030. Este país, que faz fronteira com Brasil, Suriname e Venezuela, tem a maior taxa de crescimento da América Latina (43,6% em 2024, segundo dados oficiais).

O presidente também terá que abordar a espinhosa questão do Essequibo (oeste), região rica em petróleo e minerais, que representa dois terços do território da Guiana e é alvo de uma disputa com a Venezuela sobre a demarcação da fronteira.

A disputa de longa data se intensificou em 2015, quando a petroleira americana ExxonMobil confirmou a existência de grandes jazidas de petróleo na área disputada, que abrange 160.000 km².

© Agence France-Presse

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