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Mundo

Guerra no Irã ameaça empurrar 30 milhões à pobreza

Interrupções no fornecimento de combustível e fertilizantes, agravadas pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, reduzirão a produtividade agrícola e elevarão a insegurança alimentar, segundo chefe da ONU.

Késia Alves

23/04/2026 10h13

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Foto por KAWNAT HAJU / AFP

Mais de 30 milhões de pessoas serão empurradas de volta à pobreza devido aos impactos da guerra no Irã, incluindo interrupções no fornecimento de combustível e fertilizantes, afirmou Alexander De Croo, chefe de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A escassez de fertilizantes, agravada pelo bloqueio de navios de carga no Estreito de Ormuz, já reduziu a produtividade agrícola, o que provavelmente afetará a produção mais à frente este ano. “A insegurança alimentar atingirá seu nível máximo em alguns meses, e não há muito que se possa fazer a respeito”, declarou o ex-primeiro-ministro belga à Reuters.

De Croo listou outras consequências da crise, como a escassez de energia e a queda das remessas. Ele enfatizou que, mesmo que a guerra parasse amanhã, esses efeitos já estão presentes e empurrariam mais de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza.

Grande parte dos fertilizantes mundiais é produzida no Oriente Médio, e um terço dos suprimentos globais passa pelo Estreito de Ormuz, onde o Irã e os Estados Unidos disputam o controle. Neste mês, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU alertaram que a guerra elevará os preços dos alimentos, sobrecarregando as populações mais vulneráveis.

Os efeitos indiretos da crise já eliminaram uma estimativa de 0,5% a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global. “Coisas que levam décadas para serem acumuladas são necessárias oito semanas de guerra para destruí-las”, declarou De Croo.

A crise também sobrecarrega os esforços humanitários, à medida que o financiamento diminui e as necessidades aumentam em locais como Sudão, Gaza e Ucrânia. “Teremos que dizer a certas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-los”, afirmou, alertando que as pessoas que sobrevivem com ajuda humanitária serão empurradas para uma vulnerabilidade ainda maior.

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