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Guerra comercial entre Equador e Colômbia escala com tarifas recíprocas e novas medidas

Bogotá impôs sobretaxas a produtos equatorianos e suspendeu intercâmbio elétrico, enquanto Quito anunciou novas tarifas sobre o transporte de petróleo pelo OCP

Redação Jornal de Brasília

22/01/2026 14h51

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Foto: Raul ARBOLEDA / AFP

O governo da Colômbia respondeu, nesta quinta-feira (22), às tarifas de 30% impostas pelo Equador sobre importações colombianas com sobretaxas semelhantes e ampliou uma crise comercial que agora se estende à cooperação energética e ao transporte de petróleo.

A guerra comercial começou na quarta-feira, quando o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou de Davos a imposição de tarifas de 30% à Colômbia a partir de fevereiro, por considerar que Bogotá não faz o suficiente no combate às drogas na fronteira comum.

O Ministério do Comércio da Colômbia respondeu nesta quinta-feira que aplicará a mesma tarifa a 20 produtos ainda não definidos, com a possibilidade de estender a medida “a um grupo mais amplo, como resposta à alteração das condições do comércio bilateral gerada pela decisão unilateral” de Noboa.

“Essa sobretaxa não constitui uma sanção nem uma medida de confronto, mas uma ação corretiva orientada a restabelecer o equilíbrio do intercâmbio e a proteger o parque produtivo nacional”, acrescentou.

Sem mencionar diretamente as tarifas, o Ministério de Minas e Energia publicou, por sua vez, uma resolução para suspender as Transações Internacionais de Eletricidade (TIE) entre os dois países, “como medida preventiva orientada a proteger a soberania e a segurança energética” da Colômbia.

Segundo a pasta, a decisão adotada após as medidas equatorianas se baseia em análises técnicas que “evidenciam maior pressão sobre o sistema elétrico” colombiano em momentos de “variabilidade climática”.

– ‘Pode paralisar’ o Equador –

O Equador enfrentou secas intensas que provocaram, em 2024, longos cortes de eletricidade, em um país onde 70% da energia elétrica depende da geração hídrica.

A Colômbia abasteceu o Equador em diferentes ocasiões. O país vizinho tem 17 milhões de habitantes e um déficit energético de 1.000 MW.

“Espero que o Equador tenha agradecido, porque quando fomos necessários, acudimos solidariamente com energia”, disse o presidente Gustavo Petro na quarta-feira (21), em referência à pior seca enfrentada pelo vizinho em 60 anos.

Segundo especialistas ouvidos pela AFP, ambos os países perdem com esse cenário, mas as consequências tendem a ser mais graves para o Equador do que para a Colômbia.

A questão energética “pode paralisar o país. (…) A Colômbia pode perder muitos milhões de dólares com exportações que deixarem de ir ao Equador, mas, no fim das contas, o custo recai sobre esses setores produtivos. Já a eletricidade é algo transversal”, afirmou Alberto Acosta Burneo, analista econômico do Grupo Spurrier.

A Colômbia propôs uma reunião bilateral na fronteira em 25 de janeiro, segundo uma carta oficial divulgada por meios de comunicação locais.

“É um ato de agressão econômica, não contra o presidente Petro, mas contra o nosso povo”, disse o ministro de Energia da Colômbia, Edwin Palma, que assegurou que o Equador “violou acordos internacionais”.

A Colômbia vende ao Equador principalmente energia elétrica, medicamentos, veículos, produtos cosméticos e plásticos, e compra do país vizinho gorduras e óleos vegetais, conservas de atum, minerais e metais, segundo entidades empresariais.

– Tarifas sobre o petróleo –

Colômbia e Equador compartilham uma fronteira de 600 quilômetros que vai do Pacífico à floresta amazônica, onde atuam guerrilhas colombianas e organizações binacionais dedicadas ao tráfico de drogas e armas e à mineração ilegal.

Em campos políticos opostos, mas parceiros comerciais relevantes na região, Noboa e Petro se enfrentam com frequência.

Após a decisão da Colômbia sobre a energia, o Equador anunciou novas tarifas para o transporte de petróleo colombiano por um de seus oleodutos.

“A tarifa de transporte do petróleo colombiano pelo OCP (Oleoduto de Petróleo Pesado) terá a reciprocidade recebida no caso da eletricidade”, informou a ministra do Meio Ambiente e Energia, Inés Manzano, em breve mensagem no X.

O Equador exporta petróleo e importa combustíveis. O OCP transportou 46 milhões de barris de petróleo colombiano desde 2013, quando o país começou a usar a tubulação para levá-lo da selva a um porto no Pacífico equatoriano.

A produção de petróleo do Equador ficou em 469.000 barris por dia em novembro passado, dos quais 39% foram transportados pelo OCP, segundo dados do Banco Central.

Para o ex-ministro de Comércio Exterior do Equador Julio José Prado, a decisão de Noboa busca “agradar ao governo de Donald Trump”, enquanto ambos os presidentes aliados participam de Davos.

Trump e Petro apararam arestas após meses de tensões por divergências sobre Venezuela e combate às drogas, entre outros temas, e têm previsto um encontro em Washington em 3 de fevereiro.

AFP

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