O ex-comissário militar Felipe Cusanero se tornou hoje o primeiro condenado à prisão na Guatemala pelo envolvimento no desaparecimento de seis indígenas durante o conflito armado no país, que durou de 1960 a 1996, informaram fontes judiciais.
O juiz titular do Tribunal de Sentença da cidade de Chimaltenango, Walter Jiménez, disse que Cusanero era “culpado” do delito de desaparecimento e o condenou a 150 anos de prisão, indicou a jornalistas uma fonte judicial.
Segundo a resolução judicial, o ex-militar foi sentenciado a 25 anos por cada uma das seis desaparições dos indígenas, cujo paradeiro se desconhece.
O histórico julgamento recomeçou na quarta-feira passada depois de estar suspenso por quase um ano e meio devido a ações legais do acusado para evitar ser condenado.
Cusanero foi considerado culpado pelo desaparecimento de Lorenzo Ávila, Alejo Culajay, Filomena López, Encarnación López, Santiago Sutuj e Mario Augusto Tay, entre 5 de novembro de 1982 e 28 de outubro de 1984.
As desaparições ocorreram na aldeia Choatalum, do município de San Martín Jilotepeque, noroeste de Chimaltenango.
O processo contra o ex-comissário militar foi apresentado dia 9 de junho de 2003 por familiares dos seis indígenas desaparecidos e a eles se uniu a Associação de Familiares de Detidos-Desaparecidos da Guatemala (Famdegua).
Fontes do Centro de Ação Legal para os Direitos Humanos (Caldh), que atuaram como assessores dos familiares das vítimas disseram à Efe que a sentença é “histórica” e que abre as portas para julgar a mais responsáveis dos mais de 45 mil desaparecimentos durante a guerra.