Pelo menos dois países do grupo de contato da Liga Árabe se mostraram contrários à aceleração da imposição de sanções econômicas à Síria, pelo temor que estas repercutam sobre a população civil, informou à Agência Efe uma fonte diplomática árabe.
A reunião do grupo de contato formado por Egito, Sudão, Omã, Argélia e Catar, e da qual participou de forma excepcional o ministro de Relações Exteriores saudita, aconteceu antes do encontro dos chefes da diplomacia árabe, que deverão decidir a aprovação das sanções.
A fonte, que não especificou quais estados se opuseram às sanções, acrescentou que há um grupo de países, liderados pelo Catar, que defendem a necessidade de aplicá-las de maneira gradual e de buscar mecanismos que possam suavizar seu impacto sobre o povo sírio.
O Conselho Econômico e Social da Liga Árabe, integrado pelos ministros de Economia e Finanças desta organização, deu ontem seu sinal verde a um pacote de sanções contra o regime sírio, que deveria ser referendado hoje pelos titulares de Relações Exteriores, embora a decisão do grupo de contato tenha dificultado a aprovação da resolução.
O documento estabelece a proibição das viagens de altos responsáveis sírios e dos voos das companhias aéreas sírias ao demais países árabes, exceto no caso dos aviões de mercadorias.
Também impede qualquer transação comercial e governamental através dos bancos centrais árabes, que deverão vigiar os giros bancários, salvo os enviados por trabalhadores sírios no exterior a seus parentes.
A resolução estipula ainda o bloqueio dos fundos financeiros do Governo e dos responsáveis sírios de acordo com uma lista de nomes que deverá ser elaborada por uma comissão e a suspensão do financiamento de qualquer projeto em território sírio por parte dos países árabes.
As sanções econômicas surgiram depois que a Síria não assinou o protocolo da missão de observadores internacionais que tinha como objetivo vigiar a aplicação de uma iniciativa árabe para deter a violência no país.
Essa proposta faz parte de um plano mais amplo com o qual a Liga Árabe pretende propiciar uma solução à crise que atinge o país, onde morreram mais de 3.500 pessoas desde que, no último mês de março, explodiram os protestos reprimidos pelo regime de Bashar al Assad, segundo números das Nações Unidas.