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Greve contra plano de ajuste de Berlusconi paralisa Itália

Arquivo Geral

06/09/2011 17h35

A greve de 8 horas convocada pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) contra o plano de ajuste econômico do Governo de Silvio Berlusconi levou colapso a praticamente todo o país nesta terça-feira (6), mesmo dia em que as medidas de austeridade chegaram ao Senado para discussão e posterior votação.

O protesto se estendeu por 8 horas, das 9h às 17h no horário local (04h às 12h de Brasília), em quase cem cidades, entre elas as principais do país, e ao mesmo se somaram os dois grandes partidos políticos da oposição, o Partido Democrata (PD) e Itália de Valores (IDV).

Pelos dados do sindicato que convocou a paralisação, até meio-dia a adesão era de 60% em vários setores de toda Itália, como os transportes públicos, os museus nacionais (fechados por falta de funcionários) e as linhas aéreas.

Em nome do Governo, o ministro de Administrações Públicas e Inovações, Renato Brunetta, minimizou os protestos e situou a adesão a greve entre 3% e 4%.

Os efeitos mais caóticos foram sentidos nos aeroportos italianos de Fiumicino e Ciampino, em Roma, com o cancelamento de cem dos 220 voos previstos, o que provocou longas filas de turistas nos balcões das companhias atrás de informações sobre suas viagens.

Nos aeroportos de Milão, ao todo 144 voos foram cancelados, 106 em Malpensa e 38 em Linate, informou a imprensa italiana.

A greve do transporte público paralisou praticamente Roma até o fim do protesto, às 17h (12h de Brasília).

O time nacional de basquete ficou bloqueado em Riga, na Letônia, pelo cancelamento dos voos à Itália. Só uma pequena parte dos voos conseguiu partir em direção a Milão, segundo a imprensa.

No restante da Itália, as manifestações mais importantes foram registradas em Bolonha, Turim, Milão, Florença e Nápoles.

Em Milão, a entidade financeira mais importante da Itália, o Unicredit, foi alvo de ataque de ovos, durante a passagem da manifestação em frente à sede da entidade. Outra entidade, a Banca Popolare di Novara, também foi alvejada.

A greve atingiu a edição desta terça-feira do jornal “Il Corriere della Sera”, que não chegou às bancas porque os tipógrafos aderiram ao protesto.

Cerca de 300 manifestantes também estiveram na região onde fica a Bolsa de Valores da Itália, que está protegida por um forte aparato de segurança.

Em Florença, entre 15 mil e 20 mil pessoas, entre os quais prefeitos e administradores locais, percorreram alguns trechos do centro da cidade sem incidentes.

No entanto, em Nápoles, terceira cidade em importância da Itália, oito policiais ficaram feridos na explosão de um artefato.

A CIGL convocou o protesto por causa dos últimos planos econômicos elaborados pelo Governo, o de austeridade em 12 de agosto no valor de 45,5 bilhões de euros e outro anterior, de 15 de julho, com o qual pretende alcançar equilíbrio orçamentário em 2013.

O sindicato denuncia que nos dois planos de austeridade o presidente do Governo italiano, Silvio Berlusconi, “impôs mais taxas aos trabalhadores e aos aposentados, cortou os serviços e a saúde, sem garantir o equilíbrio das contas públicas nem favorecer o crescimento e o emprego”.

“O plano foi corte, corte e mais corte, só atingindo a classe trabalhadora, sem tocar nos privilégios da classe política”, disseram à Efe alguns dos participantes da manifestação em Roma.

Nesta terça-feira, o Governo italiano decidiu introduzir a alta de um ponto percentual, de 20% para 21%, do IVA entre as medidas de seu último plano de ajuste, assim como encargo de 3% aos que ganham 500 mil euros anuais de receita.

À manifestação da capital, que teve direito a hino e tudo, assistiram representantes dos sindicatos mais prejudicados pelos ajustes, como aposentados, jovens e funcionários públicos, além de representantes da Polícia, da Educação, Justiça, Guarda Florestal e do Comércio Exterior, que também protestaram contra as medidas.

Um dos pontos mais contestados foi o artigo 8 do plano de ajuste, que permite modificar o artigo 18 do Estatuto dos Trabalhadores, o que garante a tutela em caso de demissão.
“Isto significa simplesmente a liberdade para demitir”, disse à Efe a secretária-geral do CGIL, Susanna Camusso.

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