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Grande inimigo do Hamas e ex-homem forte do Fatah em Gaza renuncia

Arquivo Geral

26/07/2007 0h00

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), look Mahmoud Abbas, dosage aceitou hoje a renúncia como assessor nacional de segurança do ex-homem forte do Fatah na Faixa de Gaza Mohammed Dahlan, inimigo do Hamas e alvo de críticas por causa de sua derrota para os milicianos islâmicos no território.

O escritório de Dahlan, de 46 anos, atribuiu a renúncia a “problemas de saúde” e afirmou que ele está fazendo um “tratamento no Leste Europeu após ter operado os joelhos há um mês”. Fontes próximas ao ex-assessor de Abbas disseram que a renúncia foi apresentada com base em um acordo entre os dois líderes, que ainda mantêm “contatos de alto nível”.

“Continuarei sendo um de seus soldados leais”, disse Dahlan na carta ao presidente da ANP, enviada a partir da clínica na qual se recupera, após agradecer o apoio durante o tempo em que ocupou o cargo, ao qual chegou em 2002 pelas mãos do histórico dirigente palestino Yasser Arafat.

O porta-voz presidencial, Mohammed Edwan, disse que Abbas não recebeu “nenhuma apresentação oficial de renúncia” de Dahlan, que nasceu na Faixa de Gaza em uma família humilde. Fontes da Presidência da ANP em Ramala confirmaram, no entanto, que Abbas aceitou a renúncia, comemorada pelo Hamas, que a pedia há muito tempo.

“Estamos satisfeitos com o fato de que renunciou e de que não o veremos mais”, afirmou à Efe o porta-voz do grupo, Fawzi Barhum. Barhum acusou o coronel de ser “apoiado com dinheiro e armas para provocar a divisão no povo palestino” e interpretou sua renúncia como uma “prova de seu fracasso em se livrar do Hamas”.

A saída de Dahlan também era pedida pelo Fatah, pois o considerava responsável pela derrota para o Hamas na Faixa de Gaza, apesar de não ter ficado claro o porquê de as forças nacionalistas terem deixado de resistir e de seus comandantes terem fugido antes de perder a batalha.

Dahlan esteve ausente dos territórios palestinos durante quase toda a campanha e só retornou no final a Ramala, mas não a Gaza. O coronel também era secretário do Conselho Nacional de Segurança, que o presidente Abbas havia desmantelado em junho após o Hamas ter obtido o controle da Faixa de Gaza.

Quando o presidente da ANP criou este órgão, em abril, o Hamas – que até então liderava um Governo de união nacional com o Fatah – se opôs categoricamente à nomeação de Dahlan para liderá-lo. Apesar de sua renúncia, Dahlan ainda dirige o Comitê Interno e de Segurança no Conselho Legislativo Palestino (Parlamento), controlado pelo Hamas, mas que não consegue aprovar nenhuma lei há quinze meses, por causa das divisões internas.

Dahlan foi um dos políticos preferidos de Israel e dos Estados Unidos para ocupar a Presidência da ANP quando os dois países deixaram de considerar Arafat um “interlocutor válido”. Em fevereiro de 2002, Israel enviou à Casa Branca uma lista com quatro nomes de políticos palestinos para substituir presidente, entre eles o de Dahlan.

Após um passado de ativismo contra a ocupação israelense iniciado na Universidade Islâmica de Gaza – o que causou sua expulsão para a Tunísia pouco antes do início da primeira Intifada, em 1987 -, Arafat pôs o coronel à frente dos Serviços Operacionais da Faixa de Gaza depois da assinatura dos Acordos de Oslo, em 1994. No entanto, Dahlan divergiu de Arafat em diversos aspectos e apresentou sua renúncia em 2001 por não concordar com os casos de corrupção na ANP, mas o presidente rejeitou o pedido.

Crítico à política de Arafat durante a Segunda Intifada, iniciada em 2000, esteve ainda por trás do caos e dos atos de sabotagem à Presidência da ANP em agosto de 2004, segundo fontes. Em fevereiro de 2005, foi nomeado ministro de Assuntos Civis no novo Governo formado por Ahmed Qurei, um mês após as eleições para a Presidência que deram a vitória a Abbas, após a morte de Arafat.

Dez meses depois, Dahlan entregou sua pasta para se candidatar às eleições legislativas de janeiro de 2006 – nas quais o Hamas venceu – como independente na lista “O Futuro”, liderada pelo carismático ativista Marwan Barghouti.

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