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Governo Trump faz acordo com oposição para separar verba do ICE do orçamento federal e evitar paralisação

Entre as demandas dos democratas estão a proibição de que agentes de imigração usem máscaras e a exigência de uso de câmeras corporais e identificação visível

Redação Jornal de Brasília

30/01/2026 14h20

Foto: Roberto Schimidt / AFP

Foto: Roberto Schimidt / AFP

FOLHAPRESS

Democratas e republicanos no Senado dos Estados Unidos chegaram a um acordo na quinta-feira (29) para tentar evitar a paralisação do governo. O impasse se dá em meio a pressões para que Donald Trump recue de medidas agressivas após a morte de dois americanos em Minneapolis por agentes de imigração.

O acordo garante verba para o Departamento de Segurança Interna (DHS), pasta responsável pelo ICE e outras agências migratórias, por duas semanas, separando-o do orçamento federal total, o que aumenta o tempo para negociações entre o governo e seus rivais democratas.

Se mantido, o acordo permitiráao Senado que aja antes do prazo da 0h deste sábado (31) para financiar boa parte do governo pelo restante do ano fiscal americano, evitando, assim, a paralisação. No ano passado, o governo Trump passou pela paralisação mais longa da história do país.

Senadores esperavam votar o acordo ainda nesta sexta, embora a ideia fosse aprová-lo ainda nesta quinta. Houve, no entanto, objeções de republicanos. A Câmara ainda precisaria voltar deliberar sobre o texto após apreciação no Senado, o que reduz o tempo para evitar a paralisação -se o texto não for aprovado, o financiamento do governo expira na manhã deste sábado e a gestão entra em paralisação.

Trump se apressou para mudar a face de suas operações de imigração em Minneapolis após alerta de republicanos. Aliados dele no Congresso, que raramente o criticam, expressaram preocupação sobre as táticas sendo usadas e os objetivos da operação, afirmando que grandes mudanças eram necessárias.
Um dos republicanos que se opôs à rápida aprovação do acordo foi o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que chamou o acordo de “mau negócio”.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, disse que o mais cedo que a Câmara poderia discutir o texto na segunda-feira (2). “Podemos inevitavelmente estar em uma situação de breve paralisação”, disse Johnson a repórteres nesta quinta-feira. “Mas a Câmara vai fazer seu trabalho.”

O acordo veio depois que os democratas cumpriram sua promessa de se opor ao pacote de gastos, o que inclui US$ 64,4 bilhões para o DHS. Todos os democratas se opuseram a avançar, assim como vários republicanos.

Após a morte de Alex Pretti, enfermeiro americano morto a tiros por agentes federais, congressistas do Partido Democrata afirmaram que não votariam em nenhum financiamento adicional para o DHS a menos que limites rigorosos fossem criados para restringir a atuação dos agentes de imigração. Eles exigiram que a parcela da segurança interna no orçamento fosse separada do resto do pacote de gastos enquanto tentam fechar um acordo com Trump para novas restrições à repressão imigratória do presidente.

Em publicação nas redes sociais, Trump endossou o acordo. Ele disse que “outra paralisação longa e prejudicial do governo” seria ruim para o país. “Com sorte, tanto republicanos quanto democratas darão um muito necessário voto bipartidário ‘SIM'”, escreveu o presidente.

Entre as demandas dos democratas estão a proibição de que agentes de imigração usem máscaras e a exigência de uso de câmeras corporais e identificação visível. Além disso, buscam o fim de operações ostensivas de imigração sem foco em indivíduos específicos, a obrigação de mandados judiciais para abordagens e buscas, e que agentes de imigração sigam os mesmos padrões de uso da força das entidades de segurança municipais.

“Chega de polícia secreta”, disse o senador Chuck Schumer, democrata de Nova York e líder da minoria.

“A maioria republicana deve assumir a responsabilidade. Os republicanos no Congresso não podem permitir que este violento status quo continue. Eles devem trabalhar com os democratas na legislação -legislação real.”

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