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Mundo

Governo revive fantasma da deflação no Japão

Arquivo Geral

20/11/2009 0h00

Pela primeira vez em mais de três anos, o Governo japonês admitiu hoje um segredo, a segunda economia do mundo entrou em uma nova fase deflacionária que pode carregar com sua incipiente recuperação.

No relatório de novembro, o Escritório do Gabinete indicou hoje que a economia japonesa, que acaba de sair da pior recessão desde o final da Segunda Guerra Mundial, vive “uma fase deflacionária suave”, utilizando pela primeira vez esse desde agosto de 2006.

Ao mesmo tempo, o vice-primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, reconhecia que o Japão está imerso em “uma situação deflacionária” que poderia não ser temporária e que é “crucial” o papel das autoridades monetárias, referindo-se ao Banco do Japão (BOJ).

Hoje mesmo, o BOJ deixou as taxas de juros no Japão no baixíssimo índice de 0,1% – o menor de qualquer país desenvolvido – em uma economia que melhora, mas cujo ritmo de crescimento estima será moderado até o início do próximo ano.

“A economia do Japão está melhorando, sobretudo, devido às políticas tomadas dentro e fora (do Japão), embora continue sendo débil a recuperação da demanda doméstica”, disse a entidade emissora, que desde dezembro de 2008 mantém os juros em níveis próximos a zero.

“O ritmo de melhora da economia seguramente seguirá sendo moderado até a metade do ano fiscal de 2010”, que começa em março, acrescentou o BOJ, que recentemente previu três anos consecutivos de deflação para o Japão.

A situação atual da economia japonesa responde a uma combinação complicada: crescimento sólido entre abril e setembro, acompanhado de queda de preços nos últimos sete meses (contração de 2,3% do IPC em setembro) e um desemprego que neste ano chegou a marcar 5,7%, o mais alto depois da guerra.

Em parte, o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) japonês se deve aos grandes planos de estímulo aprovados em todo o planeta por causa da crise, que permitiram ao Japão revitalizar suas exportações, da qual esta economia é muito dependente.

Entre julho e setembro, o PIB japonês cresceu a um sólido ritmo anual de 4,8% em termos reais – que exclui a influência dos preços -, mas retrocedeu a 0,3% em termos nominais, mais próximo do que vivem os cidadãos.

No relatório divulgado hoje, o Escritório do Gabinete estima que a primeira economia da Ásia “está melhorando”, mas que tanto a queda dos preços como o aumento do desemprego são fatores de risco para a recuperação.

Após a explosão da “bolha” financeira no início dos anos 90, a deflação representou o maior freio durante anos para o crescimento econômico do Japão, pois desacelerou o consumo privado e reduziu os lucros das empresas.

Nenhum país desenvolvido conhece tão de perto a deflação como este, como lembrou nesta quinta-feira em entrevista coletiva em Tóquio o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Gurría, que pediu ao BOJ que não suba os juros para lutar contra a queda dos preços.

“Somos conscientes do sério risco da deflação”, indicou hoje o ministro das Finanças do Japão, Hirohisa Fujii, de 77 anos, que disse que as autoridades monetárias e políticas devem fazer o possível para melhorar a economia, mas não podem fazer tudo.

Segundo o veterano ministro japonês, as políticas fiscais não são suficientes para escorar a recuperação, pois embora o “gasto público tem um efeito de aumento, quando se fala de melhorar a economia, citando a Keynes (John Maynard), deve vir do setor privado”.

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