As grandes companhias, e não só os bancos, deveriam identificar as pessoas, seu salários e remunerações extraordinárias, segundo o secretário de Estado britânico de Serviços Financeiros, Paul Myers.
Os empregados que não fazem parte do conselho de administração das empresas normalmente gozam de anonimato e se respeita suas remunerações.
Segundo Myers, citado hoje pelo diário “The Guardian”, as companhias deveriam ser obrigadas a revelar a identidade de até vinte das pessoas melhores remuneradas que trabalham nelas, assim como suas rendas.
Myers também é partidário que se qualifique a todos os empregados por bandas salariais para que possa ver facilmente as diferenças existentes.
Os bancos americanos têm que revelar a identidade das cinco pessoas que mais ganham, mas, segundo Myers, no Reino Unido não deveria limitar-se a cinco ou dez, mas ampliar-se até vinte.
Sua proposta chega mais longe que a do banqueiro britânico David Walker, que trabalha atualmente em um relatório sobre boas práticas no setor.
O ministro britânico de Fazenda, Alistair Darling, que viaja hoje a Pittsburgh, instará aos chefes de Estado e de Governo participantes da cúpula do G20 nessa cidade americana a elaborar uma lista negra de países que não castiguem as práticas financeiras irregulares.
Darling quer que se acabe com os “paraísos” em matéria de regulação financeira como parte da guerra contra as chamadas jurisdições “offshores”, depois que os líderes do G20 decidissem dificultar a vida aos “paraísos fiscais” em sua cúpula londrina do abril passado.
“Um dos riscos que corremos é o que apresentam as companhias, sobretudo as financeiras, que se ocultam sob um nevoeiro regulador em uma ilha do Caribe: as empresas não vão ao Caribe pelo bom tempo que ali faz”, comenta Darling.
Segundo Darling, os reguladores quererão perguntar a seus colegas das jurisdições “offshore” pelo capital que há detrás de uma determinada empresa, seu nível de exposição ao risco ou pela identidade de seus diretores.
O Ministério britânico de Finanças trata de lutar contra os mecanismos utilizados pelos bancos para evitar o pagamento de impostos, mas seu novo código de conduta para esses institutos, por enquanto de caráter voluntário, é motivo de controvérsia no setor.