O alto comissário para a Paz da Colômbia, pharmacy Luis Carlos Restrepo, medicine chamou neste sábado de “mentirosa, incoerente e absurda” a declaração das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que admitiu que não estava com o filho da ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas, seqüestrada pela guerrilha desde 2002.
Restrepo se referiu a um comunicado emitido ontem em que as Farc admitiram que um menino que está no Instituto Colombiano de Bem-estar Familiar (ICBF) é Emmanuel, o filho que Clara Rojas teve há cerca de três anos na floresta e fruto de uma relação entre a seqüestrada e um guerrilheiro.
As Farc garantiram que a criança que está em Bogotá sob proteção oficial é Emmanuel, mas afirmaram que o Governo do presidente Álvaro Uribe o havia “seqüestrado”.
O pronunciamento da guerrilha é “incoerente, mentiroso e absurdo. O país já está acostumado às mentiras” das Farc, manifestou o comissário às emissoras “RCN” e “Caracol Radio”.
No dia 18 de dezembro as Farc anunciaram que entregariam Clara Rojas, Emmanuel e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo, seqüestrada desde 2001, a uma comissão internacional proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
A guerrilha, no entanto, descumpriu o acordo, argumentando no dia 31 de dezembro que não entregaram os reféns por causa de supostas operações militares na região onde a libertação deveria acontecer.
No mesmo dia, o presidente Álvaro Uribe negou as operações e revelou que uma criança que está desde 2005 no ICBF, onde foi deixado em más condições de saúde, poderia ser Emmanuel, motivo pelo qual anunciou que realizaria testes de DNA no menino e nos parentes de Clara Rojas.
Sexta-feira a Promotoria da Colômbia revelou o resultado dos testes e afirmou que havia uma “alta probabilidade” de o menor ser o filho de Clara Rojas. Apesar disso, anunciou que faria exames genéticos mais detalhados na Espanha.
O alto comissário para a Paz disse hoje que “não vale a pena se dedicar a analisar os despropósitos das Farc”. Ele ressaltou que a única coisa que “se pode recuperar do comunicado (do grupo) é o fato de terem reiterado que vão libertar Clara e Consuelo”.
Restrepo insistiu em que agora as Farc devem cumprir imediatamente o compromisso de entregar os dois reféns.
Ele garantiu que o Governo mantém as garantias para que as Farc entreguem as duas mulheres a uma comissão humanitária da qual participam delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Clara Rojas foi seqüestrada em fevereiro do 2002 com sua companheira de campanha para a Presidência, Ingrid Betancourt.
As Farc incluíram as duas na lista de 45 pessoas que inclui políticos, soldados, policiais e americanos que podem ser trocados por cerca de 500 rebeldes presos.
A libertação de Clara Rojas, Emmanuel e Consuelo González de Perdomo foi anunciada pelas Farc como uma “mostra de apoio” ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Desde agosto, Chávez intermediava as negociações para a libertação dos reféns das Farc por incumbência de Uribe, que cancelou a mediação em novembro por contatos do colega venezuelano com militares colombianos.
O presidente venezuelano tinha posto em dúvida a tese de Uribe sobre a criança que está sob os cuidados do Estado, mas afirmou que caso fosse comprovado que os rebeldes não estavam com Emmanuel, “as Farc ficariam muito mal diante do mundo, porque seria uma forte evidência de uma mentira, de uma manipulação”.