O primeiro-ministro paquistanês, check Yousuf Raza Gillani, anunciou hoje que o Exército recebeu a ordem de combater os insurgentes no conflituoso Vale do Swat e em outros distritos com presença talibã.
Em discurso à nação retransmitido ao vivo pelos canais do país, Gillani acusou os fundamentalistas de não terem cumprido o acordo de paz que as autoridades assinaram com eles no final de fevereiro.
“Peço a todas as forças políticas e à sociedade civil que apoiem o Exército”, disse o primeiro-ministro, que assegurou que o Governo quis, “desde o primeiro dia, resolver” a situação “através do diálogo”, apesar das “muitas críticas da comunidade internacional”.
“Defenderemos cada centímetro do país a todo custo”, ressaltou Gillani, que evitou dizer explicitamente que o acordo de paz foi quebrado.
O primeiro-ministro acusou os talibãs de ter dado continuidade à luta armada “na busca de seus interesses” durante este tempo e de ter iniciado ações contra o Parlamento, o Governo e os veículos de comunicação.
“O Governo não pode permitir tais atividades. A situação chegou a tal ponto que o Governo tem que empreender ações decisivas”, disse.
“Aprovamos o pacto para conseguir a paz, mas os insurgentes não aceitaram”, afirmou Gillani, que admitiu que “a situação se agravou tanto que a população teve que deixar suas casas”.
O premiê pediu à comunidade internacional para ajudar o Paquistão a garantir a integridade do país e a cooperar para melhorar a capacidade das agências de segurança paquistanesas.
Gillani anunciou também um pacote de ajuda de 1 bilhão de rúpias (10 milhões de euros) para os deslocados das áreas de conflito.
O pacto entre a insurgência talibã e o Governo da Província da Fronteira Noroeste (NWFP) foi aprovado depois pelo Parlamento nacional e ratificado pelo presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari.
No entanto, o avanço talibã de vale do Swat a demarcações vizinhas levou o Exército a iniciar, na semana passada, operações nos distritos de Dir e Buner e a lançar, nesta quarta-feira, novos ataques no vale.